Você não é CABEÇA e nem CAUDA

Você não é CABEÇA e nem CAUDA

Por Thiago Schadeck

Tenho certeza que alguém já te disse que deveria se animar porque você é cabeça e não cauda. Claro que essa pessoa – normalmente um profeta – usa um texto do antigo fora do contexto e tenta aplicar uma história do Antigo Testamento aos nossos dias. Insistem em tentar trazer a lei para dentro da graça.

Se você já leu o texto de Deuteronômio 28, sabe que a primeira parte fala sobre as bençãos (versículos 1 ao 14) e as maldições (versículos 15 ao 68). Note, 14 versículos sobre bençãos e 53 sobre maldição. Advinhe quais os crentes sabem decorado? Obviamente os catorze primeiros e ainda assim sem se dar conta do propósito e para quem foi escrito. Esse texto é claramente escrito para Israel e não para a Igreja, o que já o coloca sob judice acerca de sua aplicação em nossos dias.

Vamos ao versículo que deu origem ao texto e a milhares de congressos, eventos, cultos e principalmente campanhas:

O Senhor fará de vocês a cabeça das nações, e não a cauda. Se obedecerem aos mandamentos do Senhor, do seu Deus, que hoje lhes dou e os seguirem cuidadosamente, vocês estarão sempre por cima, nunca por baixo.” (Deuteronômio 28: 13)

No capítulo 12, Moisés se dirigiu ao povo de Israel e para transmitir aquilo que Deus o mandara falar. Esses capítulos são orientações de como o povo de Israel deveria servir a Deus. Era basicamente um conjunto de pode e não pode. Não a toa é chamado de Lei. Não há exceções, deve-se cumprir.

Mas se a Bíblia é uma junção entre o Novo e o Antigo Testamento, que não tem contradição entre si, como posso ter certeza que a Igreja não é cabeça?

Deus cuidou de Israel porque tinha uma promessa maior:

Israel, assim como a Igreja, é o povo escolhido por Deus. Lendo os cinco primeiros capitulos da bíblia, podemos ver nitidamente um cuidado de Deus para com eles. Foram livres do domínio de Faraó e da opressão do Egito, passaram 40 anos no deserto e Deus os supriu com maná e cordonizes. Durante o dia havia uma nuvem que não deixava que o sol escaldante não os desidratasse. A noite tinha uma coluna de fogo para esquenta-los do frio abaixo de zero do deserto os congelasse. Foram conduzidos milagrosamente pelo mar vermelho aberto e à seco. Quando Moisés subiu ao monte para receber as tábuas da lei, com os dez mandamentos escritos pelo dedo de Deus, o povo se juntou e fez um bezerro de ouro para ser adorado por eles.

Enfim, o povo de Israel era inclinado a se afastar de Deus. Idólatras e murmuradores que contaram com a misericórdia do Senhor para que se cumprisse neles e apesar deles a promessa de que da descendência de Davi viria o Messias – aguardado pelos judeus até hoje. O tempo passou e Deus enviou a eles os Juízes, Reis (alguans) e profetas para lembrá-los dessa promessa. Eles estavam sendo guardados porque deles viria o Rei dos reis. O Verbo se faria carne no meio daquele povo.

Cristo é o CABEÇA!

Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, lança luz sobre esse assunto em suas cartas. Ele aponta em diversos momentos – veremos abaixo – as evidências de que a Igreja NÃO É CABEÇA.

A Igreja é composta por pessoas de todos os povos e não só Israel:

Quando Paulo escreve aos Gálatas, deixa bem claro que em Cristo não há diferenciação entre os povos, ou seja, os Judeus não são os detentores exclusivos das bençãos de Deus e tampouco da salvação.

“Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus.” (Gálatas 3:28)

Cristo comprou para ele homens de todos os povos e nações. A Igreja se expandiu pelo mundo todo e desde o pentecostes arrebanha os salvos em Cristo de todas as partes da terra, não apenas judeus.

“…E eles cantavam um cântico novo: “Tu és digno de receber o livro e de abrir os seus selos, pois foste morto, e com teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação.” (Apocalipse 5:9)

“Depois disso olhei, e diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, de pé, diante do trono e do Cordeiro, com vestes brancas e segurando palmas.” (Apocalipse 7:9)

CRISTO é o cabeça da Igreja:

Na segunda carta que Paulo escreve aos Coríntios, descreve a Igreja como o corpo e Cristo a CABEÇA desse corpo. Os membros (nós) têm sua função específica no corpo e a CABEÇA (Cristo) o conduz conforme Sua própria vontade.

Aos Efésios, Paulo afirma categoricamente que Deus colocou CRISTO como CABEÇA de todas as coisas:

Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou como cabeça de todas as coisas para a igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche todas as coisas, em toda e qualquer circunstância.” (Efésios 1:22-23)

“Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.” (Efésios 4:15)

Aos Colossenses, Paulo também escreve ressaltando a verdade de que Cristo é a Cabeça:

Ele é a cabeça do corpo, que é a igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a supremacia.” (Colossenses 1:18)

Conclusão:

Quando alguém vier dizer que você é cabeça, repreenda com amor e diga que não quer tomar o lugar de Cristo. Ele é o cabeça de tudo. O Pai O colocou como CABEÇA e todo o corpo cresce ajustado com e por ele.

Querer ser cabeça é cobiçar o lugar que é de Cristo. O pecado de Satanás foi exatamente esse. Talvez você tenha sido ensinado que deveria ser cabeça e por ignorância creu nisso, mas agora que sabe da verdade, oriente aos que ainda crêem errado, para que eles reconheçam que Cristo, e apenas ele, é o cabeça!

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