Será que sou saudosista?

Será que sou saudosista?

Por Thiago Schadeck

A paz do Senhor Jesus!

Acho que estou ficando com a mania dos velhos de ser saudosista. Apesar de ter apenas 26 anos, vivi uma grande parte de minha vida na igreja e acompanhei a “transição” do cristianismo para o evangelicalismo. Da perseguição de ser crente à moda gospel. Dos louvores às músicas.

Infelizmente em 20 anos a Igreja do Senhor, no geral mas não generalizando, mudou muito e isso me causa um saudosismo, sim! Vou explicar as rezões pelas quais tenho saudade da igreja de minha infância e luto para que onde congrego hoje seja moderna, pois temos de evoluir, mas não perca a essência do Evangelho.

Vou fazer um comparativo entre o que via e o que vejo hoje, não sei se serei convincente, mas pode acreditar que é sincero.

Antigamente a única maldição que alguém carregava era não ter a vida entregue verdadeiramente a Cristo, pois todos reconheciam que nenhuma condenação (ou maldição) há para aqueles que estão em Cristo (Romanos 8:1), porque se alguém está em Cristo é uma nova criatura (2 Coríntios 5:17).

Hoje em dia faz-se mapeamento espiritual, árvore genealógica, regressão e outras macumbas gospeis para se descobrir onde está e quebrar a maldição, que pode ser hereditária ou não. Além disso, se você não tem uma vida abastarda, com muito dinheiro e saúde é porque está vivendo em maldição.

Antigamente as reuniões de oração eram pra clamar o favor do Senhor, suplicar pela sua misericórdia. A “mensagem” passada ao convidar a igreja para um culto de oração era que todos se prostrariam ao Senhor, se humilhariam, com arrependimento de seus pecados, porque assim Deus nos ouviria dos céus (2 Crônicas 7:14)

Hoje em dia quase não existem mais reuniões do oração. Elas foram substituídas pelas concentrações de fé e milagres. Não é necessário mais clamar, alias clamar virou falta de fé! Hoje nós determinamos, exigimos, brigamos com o anjo, colocamos Deus na parede e ele tem que atender nossos mimos, afinal somos ofertantes, dizimistas, mantenedores, patrocinadores, colunas ou qualquer outro nome que se possa dar. Acho engraçado e trágico ao mesmo tempo, quando dizem que temos de lutar com Deus como Jacó, porque ele venceu, mas ninguém diz que ele ficou manco pro resto da vida!

Antigamente evangelismo era sair à rua com folhetos geralmente bem simples, com mensagens genéricas e um carimbo com nome, endereço e horários de culto da igreja. Não se precisava de uma “marcha para Jesus” ou um “Show pela Vida” (entre outras micaretas gospel) para se sair a rua com uma camiseta que falasse de Cristo e mais, falar Dele para as pessoas.

Hoje em dia utiliza-se a desculpa de fazer evangelismo para promover cantores gospel, a igreja, seus líderes, pregar mensagens que massageiam o ego e acariciam nossas vaidades. As marchas que deveriam ser para Jesus tem um tom extremamente político (esse ano tem eleição, vamos ver quantos candidatos serão lançados nesses eventos).

Antigamente os cantores cristãos buscavam a inspiração no Espírito Santo para compor, as mensagens centrais eram Cristo, a salvação, a volta de Cristo. Deus era realmente exaltado através da música. Não havia cachê para se tocar em uma igreja, pois sabiam que se Deus deu o dom, deve ser usado para Ele. No máximo pediam para vender seus CDs no final do culto e uma ajuda para a gasolina, o que é totalmente aceitavel!

Hoje em dia os cantores gospel tem centenas de exigências, cobram uma verdadeira fortuna (entre 5mil e 30 mil reais) para “cultuar” a Deus com suas músicas. Musicas estas que falam de tudo, menos de Deus! Quando não é chuva é fogo, quando não é fogo é prosperidade, quando não é nenhum desses é sobre tomar posse. Ensinam através da música a “reconhecer quem somos em Cristo”, eu digo quem somos: Miseráveis pecadores que necessitam da graça de Deus a cada dia e por isso não temos o direito de exigir nem uma agulha sequer!

Como li num tweet essa semana (e de certa forma me inspirou esse post): Antigamente os louvores diziam “Senhor tu és…Senhor tu és…Senhor tu és…”, hoje eles dizem: “Eu sou…Eu sou…Eu sou…”. Triste realidade de nossos dias!

Antigamente o “cargo” máximo que alguém podia alcançar era o de Pastor. O título não era importante, pois o caráter valia mais que o carisma. Unção pastoral era medida pela vida de meditação e oração do pastor. Não eram necessários “milagres” ou “prodígios” para fazer as pessoas acreditarem na pregação.

Hoje em dia  o egocentrismo de líderes faz com que eles outorguem para si títulos de profeta, doutor em divindade, apóstolo e patriarca (antes de criticar, defenda esses títulos com base bíblica). A vida com Deus é medida pelo crescimento (apenas e tão somente numérico) de suas igrejas, pois o que importa é ter a maior igreja possível. Querem ocupar a TV, o rádio, a internet e qualquer outro meio de comunicação, porque eles tem a nova visão, revelação ou unção e todos precisam saber. gastam milhões de reais para sustentar um império “apostólico”(?) enquanto muitos membros de suas igrejas passam necessidades e não tem apoio.

O mundo tem mudado e lastimavelmente a igreja tem ido em seu vácuo. Saudades de alguns pastores que infelizmente se perderam no percurso, mas que ainda tem tempo de se arrepender e voltar ao verdadeiro caminho. Em outras épocas fui muito edificado com pregações de pastores que hoje me dão vontade de chorar ao ouvir seus nomes. Pastores que se venderam à prosperidade, ao luxo, ao status. Que negam que Jesus voltará, negam a soberania de Deus e apostatam da fé cada vez mais.

Oro e continuarei orando por um avivamento verdadeiro, centrado na bíblia e na vontade de Deus. Quero te convidar a colocar esse propósito em suas orações. Pode ser que nada mude ao seu redor, mas dentro de você certamente haverá uma grande mudança!

Por favor colabore comentando, gostaria de saber sua opinião. Mas faça isso com respeito, afinal você é um cristão né?

Que Deus te abençoe

@PregandoVerdade

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