Quatro dicas aos ministros de louvor

Quatro dicas aos ministros de louvor

Por Thiago Schadeck.

Ministros de louvor, vocês que comandam o período musical do culto e que tem o poder da influência e do microfone nas mãos, que tal começar o ano novo com hábitos novos?

Abaixo, listarei quatro dicas para que o momento do louvor seja ainda melhor em sua igreja!

Escolha músicas biblicamente corretas e musicalmente boas:

Não adianta ter um ritmo bom se não tiver uma sólida base bíblica. Assim como não é suficiente ter uma letra extremamente fiel às escrituras se não tiver, pelo menos, uma boa musicalidade. Resumindo: deve ser uma música boa que tenha a mensagem biblicamente fiel.

Atualmente temos uma enxurrada de músicas com produção ao nível dos melhores artistas do mundo, mas que a letra deixa a desejar até para uma criança que frequenta o “cultinho” da igreja. Letras rasas, com refrões chicletes e palavras inventadas para dar mais ritmo à melodia (são os tchereretchche gospel). Não dá pra negar que, comercialmente falando, é uma música boa e que certamente renderá um bom dinheiro, porém não é possível utilizá-la para nada senão o entretenimento.

O período de louvor do culto tem a obrigação de comunicar o evangelho de forma consistente, clara e fiel, portanto não podemos aceitar nada menos que uma pregação cantada. Simples assim.

Todas as músicas cantadas no culto devem ser compreensíveis e possíveis de serem cantadas por toda a igreja. Das crianças aos idosos; do visitante ao pastor; do tenor ao irmão mais desafinado. Cuidado com ritmos e palavras difíceis, só cantaremos com consciência se entendermos a mensagem clara da música.

Todas as músicas devem, obrigatoriamente, adorar a Deus.

Esqueça as músicas que falam o quanto a platéia é preciosa para Deus, que Deus vai esmagar seus inimigos, pare de falar em honra aos homens e etc. Busque músicas que falem da grandeza de Deus e seus atributos: seu amor que nos resgatou do pecado, sua santidade que nos constrange, sua bondade que nos mantém vivos, apesar de nossas falhas. A palavra “louvor” tem “elogio” como um de seus principais significados, ou seja, quando louvamos a Deus, estamos declarando elogios a Ele e a quem Ele é!

Deus é o centro do culto e o momento de louvor é quando entregamos a Ele a nossa adoração. Nós só podemos adorar a Deus com total consciência, se O conhecermos. Não se pode elogiar alguém que não se conhece, soaria falso.

Você está no culto e não em um show

Todo mundo sabe que você tem talento, que seu carisma é algo atraente. A igreja reconhece que, se você cantasse “no mundo”, seria um artista de sucessos, mas isso fica apenas por aí. Quando entrar pelas portas da igreja, deixe esses sentimentos lá fora e concentre-se apenas em cantar e conduzir a igreja ao verdadeiro louvor.

Ainda que você não tenha se dado conta, sua postura fala muito sobre você e sua intenção ao cantar na igreja. As performances são totalmente dispensáveis, o uso excessivo das técnicas vocais cabem bem no “The Voice”, se quer usá-las, se inscreva no programa e seja feliz. Não fique antecipando as frases da música, falando antes de cada trecho a ser cantado. Sabe quando a pessoa dita a música? “Nosso Deus”, aí a igreja canta “nosso Deus é soberano” e vem o ministro de novo: “Ele reina” e a igreja segue “Ele reina, antes da fundação do mundo”. Isso é cansativo.

Evite parar de cantar e mandar aquele famoso “só a igreja”, mas se fizer não cometa dois erros que matam o intuito de fazê-lo:

  1. Não parar de cantar: tem ministros que pedem para os músicos pararem de tocar e deixar apenas a igreja cantando e não param de cantar, porque a sua voz se sobressai nesses casos. Além disso, há casos que o ministro aproveita esse “silêncio dos instrumentos” para fazer gracejos com a voz e mostrar toda a sua técnica, a igreja não consegue acompanhar e para de cantar.
  2. Não acabar a música em seguida: normalmente os ministros fazem isso em músicas mais lentas, chamadas erroneamente de música de adoração e ao invés de terminar a música com aquele clima tranquilo, muitas vezes tocando as pessoas, deixando uma boa sensação (porque a música tem esse poder), preferem mandar o baterista “puxar de volta” e voltar ao refrão dois tons acima do original. Simplesmente jogou toda aquela boa sensação no lixo!

Não pregue! Esse não é o seu papel.

Só quem vai prrgar após uma longa ministração de louvor sabe como é anguatiante ver o tempo passar e consequentemente diminuir o espaço da pregação e o ministro de louvor, pregando entre uma música e outra ou até mesmo parar o louvor para “ministrar”. Esse não é o seu papel. Suba, cante e desça para ouvir a pregação. Simples assim.

Já entrei em alguns debates sobre isso e a resposta que recebo é que “se Deus quer falar com a igreja, eu não posso me calar’. Só se esquecem que o momento de Deus falar com a igreja é na pregação da Palavra. No momento de louvor, somos nós que estamos entregando a Deus a nossa adoração. Em uma conversa enquanto um fala, o outro escuta. Deus é ordeiro e não podemos fazer do culto uma bagunça em que fazemos o que queremos e como queremos.

O que acontece na maioria das vezes é que quem está dirigindo o louvor se empolga e acredita que é Deus falando, mas não passam de palavras vazias, quase sempre mensagens de auto ajuda e chichês gospel. No louvor, cante como se estivesse de frente para o trono de Deus, adore-O com todas as suas forças e com certeza não vai se empolgar para falar o quanto Deus é “apaixonado” ou “sente saudades” das pessoas que te assistem. No máximo, você irá se lembrar da grandeza desse Deus e exaltar seus atributos maravilhosos!

Vamos toranar nossos cultos mais racionais e com maior teor de adoração (que deve estar presente em todo o culto e não só no período de louvor). Deus irá se agradar muito mais de nossas reuniões se Ele for o centro, pois Ele não duvide sua glória com ninguém.

Deus te abençoe.

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