A MENTIRA QUE O JUIZ LIBEROU A CURA GAY

A MENTIRA QUE O JUIZ LIBEROU A CURA GAY

Cura gay

Por Thiago Schadeck

Os portais de notícias estão agitados pela notícia de que o juiz federal Waldemar Cláudio de Carvalho, do Distrito Federal, concedeu uma liminar que derruba, em partes, uma decisão do Conselho Federal de Psicologia que proíbe que os psicólogos atuem na reorientação sexual de pacientes que desejarem. Na prática, um psicólogo que receba em seu consultório algum paciente que seja homossexual, mas não se sinta bem com essa condição, não poderá sequer sugerir que ele possa estar enganado quanto à sua sexualidade.

Como prova da falência do jornalismo em nosso país, em vez de procurarem profissionais que defendam e medida para debater com os que são contra e deixá-los expor suas opiniões, foram às redes sociais para ouvir o que o povo pensa a cerca do tema. Obviamente uma grande parte é a favor, porém não leram sequer um parágrafo da liminar e não tem a menor ideia do que se trata. O povo é baseado pelo senso comum. Certamente você conhece alguém que tenha medo de tomar leite depois de ter chupado uma manga ou que esconda espelhos quando ameaça chover. São histórias passadas de geração em geração que se tornam verdade pela repetição. O caso da “cura gay” não é diferente, a esquerda inventou diversos boatos sobre esse projeto de lei que até hoje as pessoas pensam que os defensores acreditam que ser homossexual é uma doença. Um dos maiores enganos é crer que o Marco Feliciano seja o autor desse PL.

A desonestidade intelectual do jornalismo brasileiro está tão escancarada que a manchete é: “Juiz considera a homossexualidade uma doença e libera a cura gay”. Mas quando se tem o interesse de ler a matéria e não somente a chamada, poderá perceber que em lugar nenhum da matéria ou da decisão do juíz cita a homossexualidade como uma patologia. A decisão do juiz foi a de liberar o profissional para atender as necessidades de seu paciente.

Vamos refletir sobre alguns pontos dessa discussão.

Os que defendem o projeto de lei pensam que o homossexualismo é doença?

Obviamente que não. Há divergências acerca de se a pessoa nasce ou se torna gay. Mas essa discussão não fica apenas entre os “conservadores”, a comunidade científica ainda não chegou a uma conclusão sobre o tema. O que é defendido nesse projeto é que a pessoa possa procurar ajuda psicológica para lidar com os sentimentos que os aflingem. Sejam quais forem!

Por que o psicólogo pode orientar a assumir a homossexualidade e não pode auxiliar a deixá-la caso o paciente deseje?

Se qualquer pessoa chegar ao consultório de um psicólogo e disser que tem sentido atração por alguém do mesmo sexo, o psicólogo terá total liberdade de entender o caso e dar o veredito: “É homossexual e precisa trabalhar isso. Assuma e seja feliz”. Tão simples quanto isso.

Porém se a situação for inversa e um homossexual chegar ao consultório do psicólogo dizendo que agora sente atração por alguém do sexo oposto e o profissional buscando entender a situação diagnosticar que o paciente agora é hetero, jamais poderá dar esse veredito. Se o fizer terá implicações no CFP e até na justiça. O profissional terá de encontrar uma forma de convencer o paciente de que ele está passando por uma fase difícil e terá de encontrar uma forma de ser feliz de novo. Sugere-se uma porção de livros de autoajuda e toque a vida a diante.

Os psicólogos poderão obrigar as pessoas a se submeter ao tratamento e deixar de ser gay?

Hoje você tem a possibilidade de escolher com qual psicólogo deseja se consultar? Sim? Pois te lembro que esse direito se mantém preservado. Se é homossexual e não deseja “ser curado” procure um profissional que não faça esse tipo de tratamento. E, se por acaso, ele tentar forçar o tratamento deverá ser processado. Tudo como funciona hoje. Atualmente se alguém se consulta com um psicólogo e ele age fora das regras de sua profissão ou obriga o paciente a passar por tratamentos que ele não deseje, é passível de denuncia.

Isso acontece em qualquer profissão, quem não nada conforme as regras pode e deve sofrer as consequências. Não há porque fazer tanto alarde. Os artistas e intelectuais do nosso Brasilzão que criticaram a decisão demonstram claramente que jogam para a torcida e não lêem as matérias que comentam. O importante é ficar bem com o povão!

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