Mês: Fevereiro 2018

O cristão e a “música do mundo”

O cristão e a “música do mundo”

Por Thiago Schadeck

Poucas coisas causam tanta controvérsia no meio cristão quanto a música. Há anos que ouço a discussão acerca de se o crente pode ou não ouvir música “do mundo”, ou seja, músicas que não são cristãs. Como praticamente nasci em berço cristão, cresci ouvindo que música do mundo era do diabo e cresci aprendendo musiquinhas gospel nas salinhas da igreja.

Como cresci em uma igreja pentecostal clássica, havia muita enfase na batalha espiritual e sempre eramos ensinados que a música traz consigo um grande poder, o que não deixa de ser uma verdade. Porém, em resumo, o que ensinavam era o seguinte: se a música fala sobre Jesus (não importa em qual contexto ou se é biblicamente equivocada) você pode e deve ouvir, mas se não fala (independente da mensagem) está proibido. Se você ouvir músicas de Jesus, Deus te abençoa; se ouvir música do mundo, o diabo vai ter legalidade para destruir sua vida. Nesse contexto que passei toda minha infância, mas no início de minha adolescência, como quase sempre acontece, quis conhecer o que o mundo tinha a oferecer, no sentido musical. Claro que fazia escondido, ia para a igreja ouvindo as rádios “do mundo”no meu walkman à pilha e quando chegava lá, desligava e ia cantar músicas gospel. Isso me incomodava muito porque eu sabia que não estava de todo errado, tinha consciência de que algumas das músicas que eu ouvia não agradavam a Deus, principalmente os RAPs, mas a maioria delas tinha uma boa letra e não ofendiam a Deus.

Hoje, vinte anos depois e muito mais maduro, tenho uma visão muito bem definida e tranquila sobre a questão de música gospel x música do mundo. Vejo que a música gospel caiu e muito de qualidade. Não me refiro à qualidade de produção, pois é inegável que atingimos o nível das maiores estrelas do país. Hoje uma produção e show de música gospel não fica devendo em nada para uma produção secular, por vezes somos até melhores. O problema é que essa produção cobra um preço alto e por ser muito caro contratar profissionais capazes de executar um bom trabalho e ter equipamentos à altura do que produzimos, precisamos cada vez mais de dinheiro. De onde ele viria, se não de venda de CDs e shows lotados? Temos aqui outro ponto importante: para vender CD e lotar shows, a música deve agradar, ter aquele refrão chiquete, que te faz pensar nela o dia todo e, principalmente, que faça bem ao público e o coloque no centro da canção.

No afã de agradar o público, a bíblia vai sendo deixada de lado aos poucos e começam a ganhar espaço as músicas antropocêntricas, aquelas que são feitas para que o ouvinte se sinta valorizado. Assim surgem músicas como “Restitui”, “Sabor de Mel”, “Raridade” e etc. Que são músicas que não adoram a Deus, mas que valorizam ao extremo o homem. No caso de Restitui, por exemplo, o cantor exige que Deus devolva o que é dele – isso fica evidente quando ele diz: “Restitui, quero de volta o que é meu. Restitui e leva-me às águas tranquilas” – não se pode dizer que na primeira frase ele diz ao diabo e a segunda a Deus, como alguns insistem, pois claramente ele se dirige ao mesmo alvo. No caso de Sabor de Mel, a música é toda voltada a teologia da vingança em que Deus irá esfregar na cara das pessoas que foram contra mim o quanto eu sou importante. Vai até me colocar num palco e deixar o resto da ralé no meio da multidão me assistindo e batendo palma de como eu sou bom. Por fim, Raridade, que eu apelidei de “Xodózinhos de Jeová”, que nada mais é que uma ofensa total aos princípios bíblicos, uma adoração escrachada ao homem. Uma massagem ao ego que chega a dar náusea, lamentável. Essas são apenas algumas, tem tantas outras que poderia citar aqui, mas vou deixar para uma próxima oportunidade. Fique a vontade para citar nos comentários.

Antes de voltar a falar sobre as músicas do mundo, gostaria de te fazer algumas perguntas:

  • Você assiste a filmes que não são da temática gospel?
  • Assiste a programas de TV que não são gospel?
  • Assiste a jogos de futebol?
  • Faz passeios com sua família à shoppings ou parques?
  • Você usa a internet apenas para ver coisas que edificam?

Se sua resposta para uma ou mais questões acima foi sim, te faço a última pergunta: Isso te edifica?

Obviamente que nenhuma dessas coisas que você faz, e só me referi a atividades que não ofendem a Deus, é para te edificar ou edificar sua fé. Essas coisas servem para nos entreter, descansarmos e até unir mais a família. Nem tudo o que fazemos é para nos edificar, simples assim. Só porque não edifica é proibido por Deus? Óbvio que não!

Como lidar então com a questão da música secular?

Da mesma forma que lidamos com qualquer outra situação da vida, com bom senso!
A questão a ser analisada é se a música, seja secular ou gospel, ofende a Deus. Existem músicas do mundo que não ofendem a Deus e músicas gospel que são uma verdadeira afronta ao Senhor e sua Santidade. Logo, o problema não se a música fala de Deus ou não, mas sua mensagem. A música secular não precisa, necessariamente, edificar, mas de entreter.

Muita gente proíbe os crentes de ouvirem músicas do mundo porque ela “exercem muita influência sob nossa vida”. Isso não deixa de ser uma verdade, porém uma meia verdade. A música tem mesmo o poder de nos influenciar. É possível mudar de humor ouvindo uma música, por exemplo. Porém digo que é uma meia verdade porque não é só a música que nos influencia. Um filme, um desenho animado, o trabalho, nossas amizades, a nossa família, a igreja e tantas outras coisas também nos influenciam. Cabe a nós ter discernimento e analisar racionalmente quais são essas influências. As que são boas, retemos; as más, desprezamos.

Então, para resumir tudo o que disse aqui, posto um vídeo com o trecho de uma música gospel e uma secular. Assista e responda com toda a sinceridade qual é a melhor para um cristão se entreter.

Fique a vontade para comentar!

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