Mês: dezembro 2015

Jesus ou o Papai Noel?

Jesus ou o Papai Noel?

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Por Thiago Schadeck

Chegamos a mais um final de ano e como sempre temos a discussão de se é lícito ao cristão comemorar o natal. Quem condena a comemoração o faz partindo de, pelo menos, três razões: Jesus não nasceu em dezembro, não mandou que ninguém comemorasse o seu aniversário e que o natal era a festa pagã do sol e Constantino utilizou a data para celebrar o aniversário de Cristo e ficar bem com ambos os lados.
Alegamos, com razão, que o Papai Noel se tornou o principal personagem do natal, tomando o lugar de Jesus. Porém não assumimos nossa responsabilidade por isso. Nunca tivemos tantas igrejas, tantos programas gospel de rádio e tevê, tantos blogs, sites e canais no youtube que falam acerca da bíblia, mas pouquíssimos deles falam sobre Cristo como a Bíblia realmente ensina. Na maioria das vezes, Jesus é mesmo um Papai Noel que te presenteia por ser bonzinho.

Abaixo, vou listar alguns exemplos que fazem de Jesus um Papai Noel:

“Semeie nessa terra fértil que você colherá cem vezes mais!”
Para os adeptos dessa teologia demoníaca a semente que Jesus se referia na parábola (Marcos 4:1-9) é o dinheiro, mas se você ler com atenção a explicação dela (Marcos 4:10-20), vai perceber que Jesus não fala sobre dinheiro e sim sobre SALVAÇÃO e que as sementes são a PALAVRA DE DEUS (Marcos 4:14).
Nossa igreja gospel brasileira é expert em transformar textos ao seu bel prazer, apenas para defender o que lhe convém e refutar o que lhe incomoda. Jesus não é um Papai Noel obrigado a me dar presentes porque eu fui bonzinho.

“Quando você dá o dízimo, Deus trata de te abençoar rápido porque não gosta de dever a ninguém.”
Essa eu vou quebrar em duas partes. Na primeira, quero te convidar a uma reflexão: se um amigo te pede um par de sapatos emprestados, dizendo que te devolve em uma semana e cumpre o que disse, você pegaria mais oito pares de sapato e daria a ele de presente? Óbvio que não, ele apenas cumpriu a sua obrigação, devolveu algo que não era dele. Se dizemos que o dízimo é do Senhor, isso não nos implica também uma obrigação em devolvê-lo?
O problema é que a igreja não se baseia na bíblia e sim no que ouvem dos púlpitos. Quem nunca ouviu aquela frase: “Os 10% são de Deus, o restante é seu e você faz o que quiser”? Pois bem, essa é uma frase demoníaca e que nos induz a uma relação de obrigações com Deus. Quando entregamos nossa vida a Ele, tudo o que temos deve glorificá-lo, inclusive nossa vida financeira. A partir da conversão não há mais separação entre minhas coisas e as coisas de Deus, nós passamos a ser mordomos daquilo que Deus nos dá.
Segundo, esse negócio de que Deus é obrigado a te abençoar rápido por conta do dízimo é outra mentira de Satanás. Veja o exemplo de Abraão que em Gênesis 14:18-24 dá o dízimo a Melquizedeque, o sacerdote, e só alcança a promessa de ser pai mais de 15 anos depois. Ai você pode dizer: “mas Abraão ficou rico nesse período”.  Não! Abraão já era muito rico antes disso, basta ler Gênesis 13.
O problema da nossa geração gospel é que como uma prostituta, não quer relacionamento, apenas dinheiro em forma de prazer.

“Venha participar do grande culto de milagres no dia tal. Deus vai agir poderosamente nesse dia”
Quem tem data marcada pra trabalhar é o Papai Noel. Costumamos “controlar”  a agenda de Deus. A Bíblia descreve o Espirito Santo como um vento que sopra onde e quando quer (João 3:8), mas nós queremos fazer dEle um aparelho de ar condicionado, que funciona quando queremos, onde queremos, na temperatura que queremos e apenas com um botão pode ser ligado e desligado.
Jesus não marcava encontro com as pessoas, ele as pegava de surpresa, vide o caso de Zaqueu, ou quando encontrado, esperava o momento certo de agir, como no caso de Lázaro – morto há quatro dias, em outra situação Jesus nem foi até a casa do Centurião, apenas enviou a sua palavra. Diferente do Papai Noel, que todo mundo sabe que entra pela chaminé a meia noite do dia 24/12, Jesus não trabalha sistematicamente, ou seja, ele não segue regras, principalmente as criadas por nós.

“Jesus está aqui para te abençoar”
Quem chega em reunião de pessoas com um saco cheio de presentes nas costas é o Papai Noel e não Jesus. Quando Cristo está no meio da Igreja é para se revelar e ser adorado (leia o Apocalipse, principalmente os capítulos 1 e 2). Estamos trocando a presença de Cristo por presentes terrenos e passageiros. O eterno pelo perecível.
Assim como Esaú, a igreja tem se preocupado mais em saciar a fome com um prato de lentilhas que o com o seu direito de primogenitura. A lentilha mata nossa fome agora, o pão da vida nos alimenta para a eternidade. Buscamos o melhor dessa terra em detrimento do melhor pra alma.

Tem gente pensando que Jesus vai voltar em um trenó, puxado por renas!

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Fé em meio à crise

Fé em meio à crise

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Por Thiago Schadeck

Todo ser humano passa por crises durante a vida e isso é normal. Temos altos e baixos, momentos de extrema alegria e momentos em que não queremos nem acordar.
O problema é quando um cristão passa por alguma crise. Não faltam pessoas para apontá-lo e julgá-lo por falta de fé. Ouvimos quase que em todos os cultos que “somos mais que vencedores”, “podemos todas as coisas naquele que nos fortalece”, “somos ungidos de Deus e ninguém pode nos tocar” ou até mesmo aquela frase esdrúxula: “você não tem crise, tem Cristo”. Isso nos incute na mente que um cristão não pode passar por qualquer crise. Seja ela interna ou externa. Afinal, se você tem fé já é o suficiente.
Muitos líderes gostam de usar o versículo de Hebreus 11:6 para justificar algumas crises de seus membros. Ao dizer que sem fé é impossivel agradar a Deus, imputa uma culpa na pessoa que já passa pela crise e faz com que ela tenha mais um pesado fardo para carregar: a suposta falta de fé.
A maioria das crises é agravada por culpa da liderança das igrejas, que em vez de pregar o que amadurece a fé de seus membros, prega o que os agrada. A maioria das igrejas já extinguiu a EBD de seus trabalhos e quando há algum discipulado é somente para catequizar as pessoas à “visão do ministério”

Abaixo, listarei cinco tipos de crises mais comuns a nós, cristãos.

Crise da adolescência
Não por coincidência, a adolescência é a fase com maior índice de abandono da fé. Nessa etapa da vida, o jovem começa a ver os amigos bebendo, saindo para a balada, namorando entre outras coisas e quase sempre lhes desperta o interesse em conhecer o “mundo”.
O maior problema de nossas igrejas nessa fase é a falta de ponderação: ou liberamos tudo e fingimos que não vemos, sob a alegação que é melhor eles estarem “lá e aqui” porque uma hora podem ser despertados ou simplesmente repudiamos e condenamos esse sentimento, poibimos e não damos nenhuma explicação do porquê aconselhamos que eles não experimentem daquilo.
A principal consequência disso é que ou teremos jovens devassos contaminando os outros ou teremos jovens reprimidos esperando  primeira oportunidade para sair se jogar no mundão. Repare que, quase sempre, o que bebe mais, fuma mais, fala mais palavrões é o filho de crente, que se desviou e agora quer “tirar o atraso”.
Isso sem contar aqueles jovens que estão na igreja apenas porque o namorado ou a namorada é fiel a Deus e por amor a ele/ela, faz um esforço de ir aos cultos. Quando o namoro acaba, uma mola o ejeta da igreja para a farra.

Crise na faculdade
As faculdades brasieiras, com seus muitos professores ateus, tem se tornado uma máquina de combate à fé e doutrinação Marxista. Um jovem cristão que não teve uma boa base de sua fé, seja na igreja ou em casa, passará por grandes dificuldades enquanto estiver cursando a faculdade. Na pós modernidade tudo é relativo, inclusive Deus. O homem está no centro e controla tudo. Quem quiser ir contra esse sistema e professar a sua fé em Cristo, passará por maus bocados.
Imagine um jovem com uma posição diferente dos outros setenta alunos de sua sala, tendo que lutar sozinho contra àquelas ideias que vão totalmente ao contrário de sua fé. Agora miltiplique isso em quatro anos. Pois é exatamente isso que a maioria de nossos jovens passam. Não raro abandonam a fé. Não tinham um bom alicerce na Palavra e nem o apoio necessário para se manter firme.

Crise no casamento
Qual o casal que nunca passou por uma crise? Por mais que amemos nosso cônjuge, as crises são parte do relacionamento. Mas muitos casais, firmes em suas igrejas, se desfazem após passar por uma dificuldade dessas, pelo fato de não ter a fé firmada na rocha e, por conta disso, acham mais facil desistir e partir pra outra.
O divórcio está banalizado, inclusive no seio da igreja. Talvez esse número seja tão alto porque os casais não são preparados no namoro e noivado. Pouquissimas igrejas se preocupam em fazer trabalhos sérios tanto antes quanto depois do casamento. Não deixam claro que as crises acontecerão e isso está alheio à nossa vontade. As dificuldades ocorrerão e se o casal não for fortalecido em sua fé, fatalmente esse casamento tem um prazo de validade muito menor que gostaríamos.
Em poucos anos teremos o reflexo no casamento dessa geração “Eu Escolhi Esperar”, os jovens estão sendo instruídos a um namoro “santo”, mas que na verdade reprime qualquer desejo. Não sou a favor do sexo antes do casamento, mas há como ter um namoro saudável espiritualmente com contato fisico. Esse falso pudor causará crises terríveisem muitos casamentos. Depois de casados, talvez nunca desfrutem verdadeiramente do prazer do sexo, visto que vêem isso como uma coisa má e que deve ser reprimido.

Crise financeira
Sabe aquela frase: “acabou o dinheiro, acabou o amor”? Pois é, ela é mais verdadeira que pensamos. Poucos relacionamentos resistem à uma falência ou uma “pindaiba brava”. Isso não se restringe apenas ao casamento, mas em todos os níveis de relacionamento.  O amor a Deus, via de regra, também esfria na falta de recursos financeiros. Ainda mais com as pregações da atualidade que assiciam bênçãos ao dinheiro. Se você não tem dinheiro significa que alguma coisa está errada em sua vida. Sem contar que algumas dessas igrejas anunciam votos com Deus em que você faz uma oferta e Ele te abençoa. Agora pergunto: como alguém que não tem o que pôr à mesa para os filhos comerem, vai ofertar para receber a bênção?
Esse é, certamente, um dos motivos que mais fazem as pessoas abandonarem a fé, muito por sua esperança estar no deus que enriquece os que o seguem e não no Deus que salva do pecado. O Deus da Bíblia!

Crise ministerial
Eis aqui uma crise que todo líder já passou. Se não passou é porque ainda não tem tempo suficiente de ministério. Trabalhamos por anos para levantar uma igreja séria, que ame a Deus e Sua Palavra, pessoas maduras na fé e dispostas a fazer mais discípulos para Cristo, mas de repente, nos vemos isolados e solitários,  parece que todos viraram as costas. Parece que Deus virou as costas! Já não temos mais certeza de nosso chamado, confundimos a voz de Deus com o nosso coração e a confusão aumenta cada vez mais em nossa mente.
Talvez você não saiba, mas mais de 50% dos pastores sofre de depressão, outros tantos de gastrite e outros que já perderam a fé. No caso de um pastor, essa crise se agrava pelo fato de, muitas vezes, ele não pode confessar essa crise ou esse desejo de parar. O que a sua igreja vai pensar se ele confessar suas fraquezas?
O sistema vem formando pastores nos últimos anos é muito falho, pois visa colocar homens perfeitos e imbatíveis à frente da igreja, mas como todo e qualquer ser humano, eles também tem suas falhas, dúvidas, fraquezas e crises. Ministério pastoral é solitário, duro e ingrato.
Quantos desses pastores já teve de assistir passivo a sua igreja se rachar e anos de trabalho escorrerem pelos vãos dos dedos. Pastores que se decepcionaram grandemente com seus “braços direitos”, quando esses lhe deram as costas e decidiram trilhar um caminho novo e independente.

Graças a Deus que não nos abandona nem mesmo em meio às maiores crises, que nos dá forças através de Seu Santo Espírito para que sigamos em frente, ainda que vacilantes, mas rumo ao alvo: Cristo!
As crises provam a nossa fé e talvez elas nos mostrem que não estamos alicerçados na Rocha, mas na areia. Se esse for o nosso caso, é hora de pedir ajuda e reconstruir nossa fé, agora a partir de Cristo.

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