Mês: outubro 2015

A teologia de Mary Kay

A teologia de Mary Kay

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Por Thiago Schadeck,

Antes de qualquer coisa, quero deixar bem claro que não tenho nada contra a Mary Kay e suas consultoras/vendedoras, pois tanto a empresa quanto as funcionárias estão ganhando dinheiro de forma honesta. Porém tenho  conhecidas que vendem as produtos da Mary Kay e acompanho algumas de suas conversas e posts nas redes sociais e vejo que há muita coisa coincidente entre o que prometem a elas e o que é prometido em muitas empresas.

Na filosofia da Mary Kay, quanto mais vendedoras você conseguir trazer para trabalhar na empresa, mais você cresce em relação a cargo, podendo chegar a ser diretora nacional. Em muitas igrejas, o prêmio por trazer novos membros é ganhar cargos, podendo chegar a ser pastor, mesmo que não tenha chamado a pastorear. Nas igrejas em células isso fica muito nítido. Você participa de um grupo de doze e tem a responsabilidade de ajudá-lo a crescer, se você for um bom “ajudante” pode ter a sua própria célula e seus  doze. Se esses doze forem se multiplicando, você pode se tornar lider de muitas células, o que corresponderia a uma diretora regional da Mary Kay.

Na maioria das vezes, em ambos os casos, todo o esforço é empenhado com o interesse de se destacar dentre os demais e mostrar que é um vencedor.

As diretoras da Mary Kay ganham um carro cor-de-rosa, que representa a recompensa por seu trabalho bem feito, o prêmio por ter se dedicado fortemente à empresa e acima de tudo, o status de desfilar com aquele carro. Nas igrejas esse prêmio pode vir em forma de uma carteirinha de obreiro, pastor, líder de ministério e etc., pode vir em ter um lugar no altar, atrás do pregador. Em alguns casos, estampa o seu título no Facebook: “Pastor Fulano” ou posta as fotos das atividades eclesiásticas e mostra pra todo mundo quantas almas tem ganho pra Jesus.

O orgulho de andar no carro rosa e o de esbravejar aos quatro ventos o que tem feito para Deus tem a mesma motivação: VAIDADE. Querem ser reconhecidos pelas pessoas como alguém que faz sucesso e que está acima da média . A vaidade, ainda que oculta, é a motivação para tanto esforço para se alcançar os objetivos, pensando que quando atingidos, trarão satisfação, mas como diria o sábio Salomão: É correr atrás do vento!

Nas duas situações se a motivação maior não for o amor, logo o que era empolgação passa a ser fadiga e a sensação de que perdeu tempo e aplicou seus esforços no lugar errado será inevitável. A decepção para quem faz as coisas esperando os louros do sucesso é apenas uma questão de tempo!

Reflita!

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A Parábola do Bom Samaritano Moderno

A Parábola do Bom Samaritano Moderno

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Por Thiago Schadeck

Numa noite fria, um homem vinha por uma rua escura da capital. Dois homens o assaltaram e levaram seu celular, todo seu dinheiro, seus tênis e sua jaqueta importada. Queriam mais dinheiro e, como ele não tinha, apanhou. E apanhou muito. Socos, pontapés,  coronhadas com o revolver, ameaças de morte. O homem ficou jogado na calçada, tão judiado, que as pessoas pensavam que ele estava morto.

Passava por ali um pastor, que estava a caminho do “Culto dos Empresários”. Ele olhou aquele homem no chão e decidiu evangelizá-lo, já que tinha cerca de meia hora até iniciar a reunião.
– Boa tarde meu jovem, posso falar com você?
O homem, que mal conseguia se mexer, acenou afirmando com a cabeça.
– Você conhece a Igreja Evangélica ali da esquina?
Com muito esforço ele disse que não.
– Pois bem, amigo, nossa igreja é muito avivada! Temos centenas de testemunhos de pessoas que, assim como você, estavam na sarjeta e hoje deram a volta por cima. São empresários bem sucedidos, andam nos melhores carros, tem casas que mais parecem palácios, seus filhos estudam nos melhores e mais caros colégios da cidade. É esse o Deus a quem servimos. Você é evangélico?
– Não. – Foi a resposta do homem que se contorcia de dor.
– Hum!!! – exclamou o pastor – agora algumas coisas fazem sentido. Isso que você está passando é uma maldição que lançaram sobre você. Na sexta-feira temos a reunião da oração forte. Apareça lá!  Posso garantir que depois dessa reunião, se você permanecer fiel a Deus, inclusive sendo dizimista, para não dar brexa ao inimigo, você também prosperará muito!
– Preciso ir, porque vou pregar na reunião dos empresários – disse o pastor, despedindo-se – te espero na sexta. Vamos te ajudar!

Enquanto o pastor ia em direção à igreja, veio em direção ao homem, um cantor gospel muito famoso. Ao ver aquele pobre homem à beira da morte, decidiu ir até ele e ver o que estava acontecendo.
– O que aconteceu contigo, amigo? – Perguntou, surpreso, o cantor.
O homem, esforçando-se muito, disse: Fui assaltado. Levaram tudo que eu tinha e ainda me bateram. Acho que não há um só osso mais inteiro em meu corpo.
O cantor, olhando nos olhos do homem disse:
– Querido, certa feita, Paulo e Silas apanharam muito e foram presos. Mas eles tinham algo dentro de si, o Espírito Santo, que não deixava que eles ficassem prostrados e se lamentando. Faça como eles, adore a Deus, levante as mãos e sinta a presença do Senhor, enquanto canto minha nova música. Ela fala sobre o valor de uma alma para Deus. O refrão diz: “Deus, mesmo lá no céu está carente, tristeza Ele sente, por não ter você. Ele é dono de tudo, mas precisa de você  pra completar o seu mundo”
O Senhor me deu esse louvor quando fui arrebatado ao céu. Lá no paraiso, onde Adão e Eva moravam no principio, Ele me disse: “Filho, se a humanidade soubesse como choro e sofro todas as noites por falta de um abraço, eles me dariam mais atenção”. É tremendo o valor que Deus nos dá. Parece heresia, mas Ele mesmo me disse que não destruiu a humanidade quando Adão e Eva pecaram porque a vida Dele não tem sentido sem nós.
Olhando para o relógio o cantor se assusta e diz:
– Querido, preciso ir ao congresso de missões da igreja, vou cantar e ministrar sobre a importância de socorrermos nossos irmãos africanos. Eles estão numa situação muito difícil! Se puder, apareça por lá. O investimento é só de R$ 150,00 e você mergulha na adoração como nunca ninguém mergulhou. Fica com Deus!

Partindo para seu congresso, o cantor viu um homem simples, barba por fazer, cara de poucos amigos. Pensou até que pudesse ser um dos que assaltaram o homem que esteve conversando há pouco, mas percebeu que era um simples membro de sua igreja . Atravessou a rua, como se fosse ver algo do outro lado, e seguiu seu caminho. Porém o simples membro viu o pobre homem que sofreu o assalto jogado na rua, o pegou em seu colo e o colocou sentado na porta de um comércio que estava fechado. Tocou a campainha de uma casa vizinha e pediu que alguém o olhasse enquanto ele buscava o carro para levar aquele homem ao hospital.
Pouco tempo depois, voltou com o carro, o levou a um dos melhores hospitais da cidade,  pagou sua conta e, quando o homem teve alta,  lhe deu um emprego em seu comércio.

O pastor e o cantor poderiam ter feito muito mais, se não tivessem tão ocupados com suas agendas. As igrejas institucionais (templo fisico, CNPJ e etc.) são uma bênção, mas elas não podem sucumbir, por conta de seus compromissos, a compaixão e o amor ao próximo.

É hora de refletirmos no Evangelho que temos praticado!

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AD lança operadora de celular. Isso é bom?

AD lança operadora de celular. Isso é bom?

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Por Thiago Schadeck,

A paz do Senhor!

Essa semana a Assembleia de Deus informou que lançará no mercado a sua operadora de telefonia móvel virtual, a “Mais AD”. Para operar, ela utilizará a estrutura já construída pela VIVO. Um dos investidores nessa operação é Ricardo Knoepfelmacher, ex-presidente da Brasil Telecom, executivo com muita experiência no mercado de telecomunicações. O diretor-geral da “Mais AD” será Raul Aguirre, que já foi alto executivo da Oi.

Tenho um respeito enorme pela Assembleia de Deus, onde já congreguei, peguei e tenho amigos. Algumas de minhas referências são assembleianos, como os pastores Geremias Couto e Ciro Zibordi, mas isso não é o suficiente para me convencer que essa operadora seja algo bom à denominação e à Igreja de Cristo.
Fico com algumas dúvidas, que se esclarecidas, talvez me façam mudar de ideia e apoiar essa empreitada.

Qualidade:
Não é segredo para ninguém que o Brasil tem um dos piores serviços pelas tarifas mais caras do mundo.  O que consideramos como banda 4G de internet móvel, aqui no Brasil, é considerado 3G no Japão. Como a “Mais AD” usará a estrutura da VIVO, dificilmente terá uma qualidade de primeiro mundo.
A pergunta que fica é: a “Mais AD” terá a qualidade e o preço justos, dignos de não envergonhar o nome de Cristo?

Investimento:
A AD não divulgou qual será o investimento inicial, mas é nítido que iniciar uma operadora de telefonia celular, ainda que utilizando-se da estrutura de outra, requer um investimento muito alto.
De onde virá o dinheiro? Dos membros, que já entregam seus dízimos, ofertas e as vezes até mais que isso? De investidores? Do governo? Usará dinheiro que tem em caixa?
Vejamos as implicações para cada situação:
         – Membros: Se o valor para iniciar as operações for arrecadado entre os membros, qual será o retorno a eles? Visto que eles estão colocando o dinheiro na empresa e não na igreja, não seria honesto atribuir esse investimento a algo espiritual e jogar a responsabilidade de retribuí-lo nas costas de Deus
        – Investidores: Quem investe dinheiro em uma empresa, o faz esperando tirar mais que colocou. A única motivação de um investidor é o lucro e, para isso, não tem qualquer problema em cortar postos de trabalho, fazer funcionários trabalharem sobrecarregados e com condições abaixo do necessário. Para o investidor, os funcionários são apenas números e podem ser facilmente substituídos.
        – Governo: Estamos vivendo a pior crise dos últimos anos em nosso país, escândalos de corrupção surgem aos montes, quase diariamente. Com a operação “Lava Jato” fica nítido o que já desconfiávamos há tempos: quem quer fazer negócio com o governo, vai ter de “molhar a mão” de alguém.
A Assembleia de Deus está disposta a entrar nesse lamaçal e fazer parte desse jogo espúrio? Vale mesmo a pena colocar o nome de uma denominação centenária em risco? E mais, vale a pena colocar o nome de Cristo em meio à essa podridão?
Lembrando que o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, é membro da AD e terá de prestar satisfações sobre recebimento de propina, tendo como intermediária a AD Brás e de suas contas não declaradas na Suíça.
        – Usará o que tem em caixa: Suponhamos que a Assembleia de Deus tenha em seu caixa o valor do investimento inicial da operadora, portanto não necessitará de ajuda de ninguém. Talvez você pense: “bom, ai tudo bem. Eles vão usar um dinheiro deles mesmo”. Errado! Eles usarão o dinheiro do povo, que contribuiu dando o seu suor e esforço. Quem mais poderia ter abastecido o caixa da denominação senão seus membros?
Se a Assembleia de Deus tem tanto dinheiro assim, por que não investe no Reino de Deus, fazendo ações sociais, como construir casas aos que moram em condições sub-humanas, ou abrem escolas em regiões carentes e dão um ensino digno à essas crianças?
A resposta certamente é: porque isso não traz “resultado”, é financeiramente ruim. Esse dinheiro sairias do caixa e provavelmente nunca mais voltaria.

Sim, meus amigos, a finalidade dessa operadora será apenas e tão somente o lucro. Caso contrário, a presidência da empresa seria ocupada por alguém da Assembleia de Deus e não do mercado. Pois é, estão indo no mais competente, e estão certos, visto que onde deve haver lucro não há espaço para amadores.

Processos:
Como qualquer outra empresa, se a “Mais AD” não prestar um bom serviço ou o funcionário se sentir lesado ao ser desligado, certamente ocorrerão processos. O apóstolo Paulo orienta que cristãos não levem o irmão ao julgamento “secular” (1 Coríntios 6:1-8). Como fica essa relação?
Se a resposta for que a “Mais AD” será apenas uma empresa e, portanto, sem valor espiritual, então a Assembleia de Deus está dando um passo a se amoldar ao padrão desse mundo. Se a justificativa for que realmente o processo seria algo que infringe a lei de Deus, a Assembleia de Deus se coloca atrás de uma redoma e se blinda de qualquer problema que possa ter futuramente, mas com certeza não será bem vista diante de Deus.

Motivação: 
Qual a motivação de uma igreja com cerca de 18 milhões de membros em iniciar as operações de uma Telecom?
Certamente dinheiro e poder. Qualquer empresa que inicie suas operações com 18 milhões de propensos clientes tem grandes chances de dar certo. Soma-se a isso as propagandas gratuitas, e por vezes constrangedoras e intimidatórias, feitas de púlpito e dentre esses prospects, uma grande massa com baixa instrução, que atende cegamente os desejos de sua liderança (basta ver os resultados de eleições), pronto! Nasce uma grande empresa com consumidores “fieis” e com uma carteira para fazer barulho entre as grandes. Poder e dinheiro garantidos. Mas tanto um quanto o outro viciam e aprisionam. Pode ser o início de tempos difíceis para a Assembleia de Deus.
Entendo, por exemplo, a AD ter a sua editora, a CPAD, e publicar materiais que trarão edificação ao Corpo de Cristo. São bíblias, livros, devocionais e etc., mas uma operadora de telefonia celular não tem qualquer relação, nem distante, com o propósito da Igreja.

Conclusão: Pelo que conheço desse tipo de negócio e pela experiência de vida que tenho, posso afirmar com certeza que em, no máximo, três anos veremos pessoas se digladiando pelos lucros não recebidos de uma empresas envolta em processos e escândalos, por não cumprir o que prometeu e o nome de Cristo sendo envergonhado.
Não estou profetizando, estou apenas mostrando o que acontece com as empresas que são abertas por pura ganância, sem a paixão por fazer e sem a vontade de colaborar positivamente. Resumindo: se o motivo maior da empresa existir é o lucro de quem comanda, ela está fadada a ser usada para consegui-lo, custe o que custar.

Que Deus tenha misericórdia e que essa empresa não traga mais descrédito aos cristãos.

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