Mês: junho 2014

As técnicas mercadológicas do neopentecostalismo

As técnicas mercadológicas do neopentecostalismo

Por Thomas Magnum
O objetivo de desenvolver pesquisa e denúncia do movimento neopentecostal, não é de invalidar a sinceridade de pessoas que, religiosamente procuram nas igrejas, respostas para seus problemas existenciais, mas de alertar os males espirituais, sociais e familiares que tal pensamento religioso produz. É válido dizer também que sinceridade não é critério de veracidade, uma pessoa pode ser sincera, mas, estar no erro.
 
Já fizemos uma análise do Sincretismo Neopentecostal, agora iremos pensar sobre seu interesse econômico e comercial. O mercado da fé tem sido sem sombra de dúvida um dos campos mais rentáveis no comércio moderno, movimentando milhões, tanto na frequência dos fiéis as suas igrejas ou na indústria cultural evangélica. Por isso iremos fazer uma análise comparativa com o mercantilismo e o atual pensamento comercial no campo do marketing. Então veremos que a mensagem e abordagem do neopentecostalismo são baseadas em técnicas e conceitos a muito utilizados no campo comercial e publicitário. 
 
O mercantilismo ocorreu basicamente do século XVII até o século XVIII, estava ligado ao processo de monarquias nacionais do capitalismo comercial a serviço do estado moderno. O desenvolvimento de uma política econômica no mercantilismo tornou-se indispensável para a formação de uma monarquia absolutista. Esse avançar do mercantilismo se deu através das navegações dos povos europeus. A grande busca por metais era desenfreada e portadora de poder para negociações. Os espanhóis foram muito importantes nesse período, também pelo fato dos países ibéricos deterem grande parte dos metais da época. A balança comercial foi estabelecida pelos europeus para padronizar e dar um eixo ao negócio. Claro que os reis eram os maiores beneficiados com isso, visto sua preocupação em preservação e aumento da riqueza do reino. 
 
A Negociata da Fé
 
Ao darmos um passo atrás na história no século XVI, veremos a insatisfação de muitos religiosos com o aparato mercadológico da igreja papal, sobe a égide de Leão X. O monge agostiniano Martinho Lutero discordou e veementemente denunciou a salvação por obras e as heresias e manipulações econômicas e comerciais da igreja. Na dieta de Worms lemos:

 

Concordas com o conteúdo ali escrito ou quer se retratar. Lutero, ressabido, pediu um tempo para responder. Foi-lhe concedido prazo de 24 horas. No outro dia, Lutero respondeu: “A menos que possa ser refutado e convencido pelo testemunho da Escritura e por claros argumentos (visto que não creio no papa, nem nos concílios; é evidente que todos eles frequentemente erram e se contradizem); estou conquistado pela Santa Escritura citada por mim, minha consciência está cativa à Palavra de Deus: não posso e não me retratarei, pois é inseguro e perigoso fazer algo contra a consciência. Esta é a minha posição. Não posso agir de outra maneira. Que Deus me ajude. Amém!”.

 

Será que vivemos dias diferentes hoje? As descabidas conquistas mercantilistas continuam por aí atrás do ouro. Muitos já esqueceram como o Bispo Macedo comprou a Record? Muitos não querem ver a barganha em nome de Deus, da mesma forma que era feito no século XVI. Porque será que o culto a personalidade não tem sido refutado? O comércio da fé justificado por líderes que se dizem cristãos. Cantores publicanos, nicolaítas, adeptos de Balaão. Talvez você esteja dizendo, mas essa palavra é muito ofensiva! Faço minhas as palavras de John MacArthur: Nunca suavize o evangelho. Se a verdade ofende, então deixe que ofenda. As pessoas passam toda a sua vida ofendendo a Deus; deixe que se ofendam por um momento. Deus não divide sua glória, “a minha glória não a darei a outrem”. Isaías 48.11
Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor.” – Jeremias 23.1
Filho do homem profetiza contra os pastores de Israel; profetiza, e dize aos pastores: Assim diz o Senhor DEUS: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não devem os pastores apascentar as ovelhas?” – Ezequiel 34.2
A contínua sede de poder por parte de pastores que negociam a fé, que manipulam as ovelhas, que abusam espiritualmente delas e em alguns casos até fisicamente. Esse mercantilismo que guerreia através de técnicas de marketing, não para o crescimento do reino, mas para a construção de um império particular. Os escândalos continuam a aparecer, pastores milionários, lavagem de dinheiro, investimentos com o dinheiro da igreja, paraísos fiscais e por aí vai. Ao elaborar uma campanha de marketing temos alguns pontos que quero considerar.
 
O Marketing
Façamos algumas elucidações sobre estratégias de venda.
• Geomarketing – É o composto do marketing, a forma que o mercado se organiza num espaço físico, analisando as variáveis.
• Marketing direto – É uma forma de personalização de atendimento e produto.
• Marketing concentrado – Busca obter resultados em determinado mercado. A empresa visa dominar o mercado.
• Marketing cultural – Visa agregar valor para a imagem da empresa.
• Marketing de massa – Tem o objetivo e atingir todos os consumidores de maneira única.
Poderíamos aumentar a lista, mas, é suficiente. Temos agora essa visão mapeada de algumas estratégias de marketing, podemos com isso compreender como o neopentecostalismo utiliza-se dessas ferramentas. Por isso, os veículos de comunicação de massa têm sido tão explorados por grupos neopentecostais.
Vemos que a antiga sede mercantilista ainda transparece no mercado comercial hoje, essa contemporaneidade é vital para a sustentação do comércio. Essa negociação está presente desavergonhadamente nas igrejas neopentecostais, que em seu sincretismo e paganismo tem prestado seu culto não ao verdadeiro Deus, mas, a Mamom. Desavergonhadamente manipulam e alimentam suas contas bancárias com a renda dos fiéis. Em uma reunião de uma igreja dessas, temos o momento de que parece um leilão. Quem pode dar R$ 1.000,00? Quem pode dar 500? 250? 100? Se você só tem a passagem do ônibus dê ao Senhor, ele te restituirá. Parece brincadeira, mas é verdade.
Outro caso muito conhecido são as campanhas, quem já viu uma campanha dessas sem contribuição financeira? E se coloca sobre o fiel o fardo da maldição se não for dizimista fiel, se não participar das campanhas, se não for associado, não será abençoado, R.R Soares geralmente diz em seus programas, “Se Deus não tocou em seu coração não seja associado”, perceba a manipulação psicológica. O que lemos nas Escrituras sobre dízimo e ofertas é baseado na disposição voluntária do crente, não por uma imposição legalista e charlatã. Em quantas igrejas neopentecostais se tem registro do rol de membros? Nenhuma, porque o público é volátil, em quantas tem seções administrativas ou assembleia de membros para dar aos membros transparência das receitas e despesas do mês? Nenhuma.
Como vemos o negócio da fé é muito bom para tais lobos. Aproveitando-se da fachada de instituição religiosa, ganham seus montantes em nome da fé. O nome que damos para isso é simonia. O termo vem do episódio em Atos 8.18 que Simão o mago ofereceu dinheiro aos Apóstolos para comprar o poder de Deus. Ninguém pode manipular Deus, nem comprar com obras ou somas de dinheiro, ofertas, campanhas ou dízimos o seu agir.
Mas disse-lhe Pedro: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro. Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, dessa tua iniquidade, e ora a Deus, para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração; Pois vejo que estás em fel de amargura, e em laço de iniquidade.” – Atos 8.20-23
 
O Fator Econômico
Qualquer estudo introdutório de economia levará o leitor ao estudo de oferta e demanda. Podemos identificar isso facilmente nos arraiais neopentecostais. Os pregadores da fé tem o produto (discurso motivacional ou dualista), e a busca por isso na religiosidade sincrética brasileira desenvolve a demanda nesse contexto de fé mística e cega. Ao usar aqui o termo  empregamos como crença e não como a fé bíblica que é um dom de Deus. O querer que o fiel prospere é devido aos interesses mercadológicos da empresa, quanto mais o adepto ganha, mais ele contribui e participa de outras campanhas, ou seja, a filosofia é puramente pragmática. Se funcionar então está certo.
O maior problema do engano de muitos crentes seduzidos pela astúcia de Satanás no movimento da fé é a falta de exame da Palavra de Deus, os fiéis não leem a Bíblia (Isaias 34.16), não meditam nela (Salmos 1.2) e não examinam (João 5.39). A questão não é Sola Scriptura, mas também Tota Scriptura, porque o movimento neopentecostal usa a Bíblia, indevidamente, mas usa. A questão é Somente a Bíblia e Totalmente a Bíblia.
Pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos.” – I Timóteo 6.10
***
Divulgação: Bereianos

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Sansão entrevista Silas Malafaia

Sansão entrevista Silas Malafaia

Como sei que tem pessoas que não entendem ironias, essa conversa NUNCA existiu.

Na minha imaginação fértil – ou não – Sansão, um dos grandes personagens bíblicos apresenta um talk-show e recebe o nosso grande tele-pastor Silas Malafaia para uma conversa.

Vejamos como foi essa conversa:

Sansão: Está no ar mais um Sansão Talk Show – a força da comunicação! Hoje estamos recebendo o grande pastor Silas Malafaia. Tudo bem com você, meu amigo Malafaia?

Malafaia: Bem, correndo muito para dar conta de todos meus projetos.

Sansão: Muito bom, ouvi dizer que você está no ar na televisão brasileira há mais de 30 anos. Nos anos 80 e 90 você chegou a ser uma referência em pregação sem medo de dizer o que deve ser dito.

Malafaia: Sim, estou há mais de 30 anos no ar, mas tive que mudar um pouco minha pregação, pois percebi que não alcançaria lugares mais altos se continuasse pregando contra o erro.

Sansão: Entendi. Mas me diga como isso aconteceu?

Malafaia: Eu sempre fui subordinado ao meu sogro, que era o pastor presidente da minha igreja e por isso não podia fazer as mudanças que eu queria. Mas quando ele morreu eu assumi a presidência da denominação e fiz alguns ajustes no que eu achava que era necessário.

Sansão: Que história interessante. Diga mais a respeito dessas mudanças. Estou curioso!

Malafaia: Bom, tive que começar a mudar aos poucos, para que o povo viesse comigo para onde quero conduzi-los. Logo que assumi a presidência da Assembléia de Deus da Penha, mudei o nome para Assembléia de Deus Vitória em Cristo, que é o nome do meu ministério. Na época aleguei que teríamos de mudar o nome para poder expandir, afinal de contas, AD Penha é um negócio muito regional. Tem bairros chamados Penha em vários lugares e isso poderia confundir o povo. Eles tem que saber onde encontrar a igreja do Pastor Malafaia.

Sansão: Ah, mudar o nome da denominação não é algo que deva se causar tanto alarde, por que raios você se tornou tão criticado aqui no Brasil?

Malafaia: Na verdade, Sansão, só sou criticado por meia dúzia de blogueiros filhos do diabo que ficam me perseguindo. Tudo começou em 2009 quando trouxe o grande Doutor Morris Cerullo, que alias você precisa conhecer, Salomão é um ignorante perto dele, para lançar uma bíblia de estudos, a Bíblia de Estudo da Batalha Espiritual e Vitória Financeira. Ele teve uma grande participação em meus programas e lançou um desafio: Quem semeasse R$ 900,00 no meu ministério receberia a vitória financeira dos últimos dias, porque convenhamos, o derramamento do Espírito Santo que Joel profetizou não enche barriga e nem paga hotel 5 estrelas para a família. Desde então peguei gosto pela teologia da prosperidade e fico revesando os grandes teólogos americanos em meu programa: Morris Cerullo, Mike Murdok e o Myles Munroe. Cada vez que um deles aparece, temos uma pregação poderosa, recheadas de misticismo, crendices e principalmente de teologia da prosperidade. Desafiamos as pessoas financeiramente – por exemplo, doar o valor de um aluguel para conseguir a casa própria e temos bons frutos sempre!

Sansão: Então as coisas que Deus manda vocês profetizarem acontecem. As pessoas alcançam aquilo que é prometido?

Malafaia: Então, na verdade não. Mas isso não é um problema nosso. Se a pessoa deu o dinheiro, mas não teve fé para receber a bênção a culpa é dela. Não posso devolver o dinheiro, afinal ele já foi investido. Você acha, Sansão, que é barato manter um programa semanal no ar? Manter um avião para cruzar esse Brasil? Tenho muitos gastos, pois o povo não pode me ver passando dificuldades, sou um exemplo para eles!

Sansão: Mas não tinha uma pregação sua nos anos 90 em que você criticava duramente a teologia da prosperidade, chegando a  chamá-la de “besteirol americano”? O que te levou a mudar de opinião?

Malafaia: Meu camarada, to vendo que você ta cupixado com esse blogueiros demoníacos. Não sei se você assistiu o grande doutor Mike Murdok falando no meu programa sobre o que acontece com quem discorda de um homem de Deus, se não assistiu, não perca tempo. Mas como você é meu amigo, vou te dar uma explicação. Quando Deus criou Adão e Eva, Ele os criou para dominar tudo, serem cabeças, prosperarem, mas com o passar do tempo os crentes se contentaram com a miséria e se apegaram muito ao pouco dinheiro. O que esses teólogos americanos e eu estamos fazendo é ensinar esse povo mesquinho a prosperar e quem sabe um dia chegam ao nosso patamar.

Sansão: Mas é só contra a teologia da prosperidade que você pregava contra e agora prega a favor né?

Malafaia: Rapaz, tu é malandro mesmo hein, ta me enrolando só pra eu falar do G12! É, eu preguei uma vez metendo o pau no G12, porque não concordava com esse negócio de células, isso foi uma revelação regional. Mas como minha vida tem tomado alguns rumos diferentes que os que eu tinha nos anos 90, me aproximei muito do René Terra Nova e da Valnice Milhomens, preguei em eventos deles, preguei na Bola de Neve, que era uma igreja que eu vivia mandando indireta, hoje eu aceito o ministério apostólico. Esses americanos me abriram muito a mente para começar a ver parcerias com esses líderes que eu ia contra e isso me ajudou a crescer muito. O apoio deles me ajuda a ficar famoso e assim ganho credibilidade para conquistar meus projetos.

Sansão: Você também tem se envolvido muito com política né? Fiquei sabendo que você apoia um presidente evangélico, que orou pelo senador Lindemberg na sua igreja, fica levando muitos políticos à sua Marcha para Jesus e pede voto para eles. Isso é verdade?

Malafaia: Sim, tudo isso é verdade. Eu tenho descoberto que quanto mais o povo evangélico assume o poder, menos espaço o Diabo vai ter para agir em nosso país. Por exemplo, estão tentando acabar com a família, querendo instituir o casamento gay e isso a igreja não pode aceitar! Eu luto mesmo, meus programas passaram a ter 70% do tempo falando contra os gays, 15% de pregação e 15% vendendo meus produtos – preciso garantir o leite das crianças.

Sansão: Interessante ver que essa mudança vem ocorrendo depois que você raspou o seu bigode.

Malafaia: É, eu raspei o bigode e parece que Deus começou a me dar uma nova revelação, comecei a prosperar, meu ministério cresceu, tenho milhares de pessoas dispostas a lutar por mim, e pode ter certeza que elas vão aparecer nos comentários. Eles sabem me defender com unhas e dentes, mas não sabem usar a bíblia para isso, porque para eles minha palavra vale mais que a bíblia.

Sansão: A nossa história é muito parecida, eu tinha um voto com o Senhor de não cortar o cabelo e esse voto fazia de mim o homem mais forte do mundo em minha época, mas me envolvi com a Dalila, uma mulher linda que me fez enxergar novos horizontes, tivemos uma linda história de amor, até eu descobrir que ela havia me feito dormir para cortar meu cabelo. Acordei fraco, preso e humilhado pelo povo que era nosso inimigo. Vejo que a sua força estava no bigode, a mulher no seu caso é o dinheiro, a sua Dalila é essa maldita teologia da prosperidade que tem te feito dormir um sono gostoso, mas que não é o sono do justo. Ela amorteceu o que você tinha de melhor: a coragem de pregar a verdade e agora te dominam para fazer a vontade deles.
É normal, quando estamos apaixonados (no seu caso pelas riquezas), ficarmos valentes para defendermos nossa amada, afinal, a paixão nos cega e seus defeitos ficam ocultos à nossas vistas.
Espero, de coração, que você volte a pregar aquele evangelho simples, que se arrependa de sua arrogância e das heresias que tem permitido ser dissiminadas através de seus programas e congressos. Se hoje te pedirem a alma o que você vai oferecer? Viagem para hotel 4 estrelas e carro blindado na Alemanha não garantem a sua salvação. Volte aos caminhos do Senhor, porque hoje, você não passa de um desviado influenciando outras pessoas a se desviarem.

Malafaia: Bom, acho melhor ficarmos por aqui, porque se eu não tivesse meus méritos, não estaria há tanto tempo na TV apresentando um programa com uma audiência tão boa!

Nota do editor: Não quero aqui ofender ao Silas Malafaia, minha intenção é exclusivamente mostrar de uma forma bem humorada como ele se desviou da pregação que o fez ser uma referencia cristã – inclusive para mim – nos anos 80 e 90. Antes de você comentar me xingando, faça uma análise da pregação dele nos últimos anos, veja se tem base bíblica para prometer o que vem prometendo e tire suas conclusões. Fico muito triste em ver que um homem com tanto potencial para pregar o evangelho se corrompeu de uma forma tão danosa, a ponto de seu passado e presente serem tão diferentes, de ter mudado tanto, para pior. Pode descordar de mim a vontade, mas tenha respeito.
Se não acredita que ele mudou, assista esse vídeo. Nada mais é que ele contra ele mesmo!

Fique na paz do Senhor.
Thiago Schadeck

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