Mês: Abril 2014

Igrejas evangélicas: um verdadeiro Frankenstein

Igrejas evangélicas: um verdadeiro Frankenstein

Frankenstein

Por Thiago Schadeck

As ideologias humanas tem transformado a igreja, enquanto corpo de Cristo, em um enorme Frankenstein. Cada ramo teológico diz fazer parte do corpo, mas não se considera da mesma espécie e por conta disso ficam se atacando. Não quero aqui dizer que temos de tolerar erros teológicos crassos ou fingir que não vemos a bíblia ser deixada de lado por pseudo pregadores. Falo aqui de cristãos sinceros, que buscam viver para Cristo e segui-lo com todas as suas forças. Essas pessoas muitas vezes são enganadas por falta de conhecimento, que na maioria das vezes são omitidas por seus líderes.
Alias, muitos simplesmente reproduzem frases desses falsos pastores sem pensar ou analisar, de tão enraizado que isso está em suas mentes, por exemplo: “Crente que não faz barulho está com defeito de fabricação”,”Meus amigos `sorveterianos'”, “Igrejas locais geram pastores, igrejas apostólicas geram multidões”, “Calvinista, como o apóstolo Paulo”  e etc.

Mas imagine comigo, se juntarmos as principais características de cada tipo de igreja dessas. Certamente teríamos cristãos mais produtivos ao Reino e que trariam muitos frutos.

Pentecostais
Quem dera se todos os cristãos tivessem o desejo de ter experiências com Deus como os pentecostais. Se todos orássemos como eles, esperando ouvir a voz de Deus. Muitos de nossos irmãos pentecostais fazem o sacrifício de subir o monte para orar por horas a fio, na expectativa de que terão algum contato maior com Cristo. Os pentecostais, em sua maioria, são fervorosos no que diz respeito a fé e são sinceros em sua busca por uma espiritualidade.
Se todos os cristãos tivessem esse espírito sedento pelo ouvir a voz de Deus, teríamos uma igreja muito mais atuante na oração e na busca por Deus.

Tradicionais
Os tradicionais são conhecidos por sua busca incansável em conhecer a Deus através das Escrituras, uma busca diária por saber o que Cristo ou o escritor de algum dos livros bíblicos quis dizer naquele versículo específico. As igrejas tradicionais investem fortemente nos grupos de estudos bíblicos. Muitas dessas igrejas tem estudos todos os dias, para todos os níveis de conhecimento. Fazem isso com o objetivo de que todos cheguem a maturidade através do conhecimento das sagradas Escrituras.
Se todos os cristãos tivessem a sede pela fidelidade bíblica dos tradicionais, as nossas pregações seriam muito mais sadias e a regeneração dos que nos ouvem seria muito mais visível.

G12/M12 (Igrejas em células)
As igrejas em células tem em sua matriz o evangelismo. Os membros dessas igrejas são encorajados a montar células de estudos bíblicos em suas casas e fazer discípulos. Outro ponto muito forte dessas igrejas é a submissão à liderança. O que o líder diz, vira lei. Não concordo com essa posição, porém nossos líderes devem ser respeitados, honrados e devemos nos submeter a sua autoridade – se concordamos que ela vem de Deus.
Quando alguém se converte em uma igreja em células, já começa a ser preparada para liderar, montar sua célula e evangelizar afim de atrair pessoas à sua célula.
Se todos os cristãos evangelizassem como os das igrejas em células, alcançaríamos muito mais pessoas para o Reino de Cristo e quem sabe cresceríamos muito mais na qualidade, pois para evangelizar  precisamos conhecer bem a Deus e a sua Palavra.

Neopentecostais
Os neopentecostais são aqueles cristãos das igrejas que dominam a mídia (rádio e televisão), em sua maioria tem as pregações baseadas em vitórias terrenas, vida próspera e saúde. O que me chama a atenção nos neopentescotais é a pregação convincente, pregadores cativantes, que prendem a atenção dos ouvintes e tem carisma para atrair as pessoas à mensagem que lhe é pregada.
Se nós, os cristãos, buscássemos de Deus uma homilética como a desses homens, que prendem a atenção daqueles que os ouvem e com isso introduzíssemos no coração dessas pessoas o evangelho verdadeiro a nossa pregação teria muito mais efeito.

Sei que em todas essas categorias de igrejas tem erros, que não podem ser considerados o modelo bíblico de igreja para os nossos dias, pois a Igreja não é uma instituição humana, mas uma obra divina, que nos juntou como seu corpo.
Devemos examinar tudo e reter o que é bom, assim como o Apóstolo Paulo nos ensinou.

Que Deus nos ajude a agradá-lo a cada dia mais e que sejamos mais parecidos com Cristo, que buscava a vontade do Pai em períodos longos de oração, conhecia as Escrituras e delas falava como quem tem autoridade, evangelizava e buscava atrair as pessoas para ser seus discípulos e pregava como ninguém jamais pregou, prega ou pregará, pois era a própria Palavra encarnada.

Deus te abençoe!

Compartilhe com seus amigos Compartilhe com seus amigos

Cristo, o Rei da coroa de espinhos

Cristo, o Rei da coroa de espinhos

Coroa

Por Thiago Schadeck

Quando pensamos na figura de um rei, logo nos vem à mente um homem poderoso, autoritário, alguém que todos os seus desejos se tornem leis. O rei é a autoridade máxima no território de sua jurisprudência e todos devem ser sujeitos à sua palavra, com o risco de ser banido do reino ou até mesmo morrer. Via de regra os reis usam coroas imponentes, de ouro maciço com pedras preciosas. A coroa é um status para esses reis, que fazem questão de ostentá-la.

Diferente dos reis desse mundo, o nosso Rei não é popular. Muitos já ouviram falar sobre ele e tem até fotos dele, mas poucos o conhecem e seguem as suas ordens e seus desejos. Nosso Rei é humilde, quando se deixou ser adorado por um povo que não era o seu, o fez sentado em um jumentinho emprestado (Marcos 11:1-10) e que nunca se negou a atender a qualquer necessitado (Lucas 6: 17-19). Nosso Rei nasceu em uma manjedoura, de família pobre (Lucas 2:24 e Números 6:10), filho de um carpinteiro pobre (Mateus 13:55) e que não tinha um palácio, ao contrário, sequer tinha onde reclinar sua cabeça (Lucas 9:58). Nosso Rei era submisso à vontade de alguém que lhe havia enviado com uma missão (João 6:38) e que cumpriu essa vontade até o final de sua vida (Filipenses 2:5-8).

Nosso Rei não foi exaltado nessa terra, tendo após si milhares de seguidores. Teve apenas doze e ainda foi traído por um deles. Multidões o seguiam pelo que ele poderia proporcionar e não por aquilo que ele era. Quando questionado por Pilates sobre seu Reino, o nosso Rei apenas disse que ele não era desse mundo (João 18:36). Se o nosso Rei não é desse mundo, a nossa pátria não é mais a daqui e sim a celestial (Filipenses 3:20, Hebreus 11:14-16). Nosso Rei foi um exemplo de servo, tanto de Deus quanto dos irmãos.

O mundo rejeitou o nosso Rei (João 1:10) e influenciados por seus inimigos o levaram até a cruz do Calvário (Lucas 23:21). Nosso Rei foi coroado com uma coroa de espinhos (Marcos 15:17) e foi zombado, mal tratado e humilhado (Lucas 22:64), mas isso não foi motivo para lhes lançar maldições ou tentar evitar algo, ele mesmo disse que se quisesse, o Pai lhe enviaria mais de doze legiões de anjos (Mateus 26:53). Do alto da Cruz, nosso Rei declarou seus desejos: Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem (Lucas 23:24). Teve a coragem de perdoar aquele que morria ao seu lado, um ladrão que merecia aquela morte (Lucas 23:40-43). O nosso Rei se sentiu sozinho, quando o Pai lhe virou as costas, deixando-o sozinho para carregar os nossos pecados (Mateus 27:46). Deus é Santo e não há como alguém que carrega pecados estar em comunhão com Ele (Isaías 59:2). Antes de expirar, nosso Rei declarou em alta voz que estava consumado! (João 19:30) e com esse brado, o véu do templo, que separava o povo do Santo dos santos, se rasgou de alto abaixo (Marcos 15:38) dando-nos o livre acesso à presença de nosso Deus!

Com essa atitude, nosso Rei se tornou maldição em nosso lugar (Gálatas 3:13), trouxe-nos a justificação e nos deu a paz com o nosso Deus (Romanos 5:1), nos livrou de toda e qualquer condenação (Romanos 8:1) e através de sua morte vicária na Cruz, nos reconciliou com Deus (Efésios 2:16). Nosso Rei é eterno,imortal, invisível e real (1 Timóteo 1:17). Com a sua morte na Cruz, cristo implantou o seu Reino que não terá mais fim (Isaías 9:7).

Na Cruz, o que para o mundo parecia uma derrota, foi a maior vitória já vista nessa terra (Colossenses 2:13-15) e deu a Ele o poder sobre a morte e o inferno porque foi morto, mas agora vive e reina para todo o sempre! (Apocalipse 1:18).

A morte não foi capaz de segurá-lo no sepulcro, mas ele ressuscitou ao terceiro dia! (Mateus 28:6)

Que a vida, morte, ressurreição de Cristo e volta de Cristo esteja em nossas mentes todos os dias, pois essa é a esperança do cristão nesses dias maus!

Deus te abençoe!

Compartilhe com seus amigos Compartilhe com seus amigos

Por que temos tantas igrejas no Brasil?

Por que temos tantas igrejas no Brasil?

 

igreja_BrasilPor Thiago Schadeck

Cada igreja tem suas características próprias, com seus erros e acertos. Diferente da igreja Católica, os protestantes não tem um comandante, que dita as regras e direciona a igreja pelo caminho que ele e seus cardeais vêem como o melhor.
Certamente a facilidade de se abrir uma igreja no Brasil fez com que a quantidade de templos e até mesmo de denominações explodisse nos últimos 10 anos. O que mais me intriga é: em quais condições, físicas e espirituais essas igrejas são abertas e para qual finalidade alguém abre uma igreja ou funda uma nova denominação.
Creio que há igrejas sendo abertas ou denominações sendo fundadas com a direção de Deus e buscando glorificá-lo, mas via de regra não é isso que acontece. Na minha opinião três motivos mais comuns (não necessariamente nessa ordem e nem são excludentes):

  • Ganância
    É inegável que igrejas podem ser lucrativas. Não pagam impostos, tudo o que é arrecadado passa primeiro pelas mãos dos que administram a igreja e nem sempre é necessário se ter conta em banco, pode-se fazer campanhas prometendo aos membros que se eles colaborarem financeiramente receberão das bênçãos de Deus.
    Alguns, ao ver sua igreja crescendo e o dinheiro entrando em volumes maiores, crescem os olhos e já imaginam o salário que poderiam tirar da igreja, dos carros que poderia adquirir, das benesses que poderiam ser desfrutadas apenas pelo fato de se ser o pastor.
  •  Orgulho
    Na sociedade egocêntrica em que vivemos, todos querem estar no topo da pirâmide e para isso são capazes de puxar tapetes, mentir, manipular, usar as pessoas e coisas ainda mais terríveis.
    Nem a igreja escapou disso e muitos aproveitam a facilidade de abrir uma igreja e se auto intitulam pastores, depois bispos e por último (por enquanto) apóstolos. Para tais homens, o peso que o título de pastor traz é muito mais importante que a função, muitas vezes não exercida. Há uns 15 anos ser pastor era a maior honra e responsabilidade que alguém poderia alcançar na igreja, mas isso tem ficado defasado, qualquer analfabeto bíblico que sabe repetir meia dúzia de frases que seu líder manda, pode se tornar um apóstolo. O orgulho de ser o mandachuva da igreja tem feito que muitos homens despreparados, sem a fé necessária para aguentar o peso do ministério e o principal: sem qualquer aprovação de Deus para ter dado esse novo passo assumirem uma responsabilidade enorme sem Deus ao seu lado.
  • Rebeldia
    Durante minha caminhada cristã, não foram poucas as igrejas que vi abrir por um sujeito que não sabia ser submisso à uma autoridade. Por não ter o dom de servir, simplesmente junta mais alguns e saem da igreja para fundar a sua própria denominação, via de regra com promessas de cargos. Quando isso acontece, em poucos meses as pessoas começam a ver, nas atitudes do novo líder, que erraram e deveriam ter ficado onde estavam. Alguns continuam na nova igreja por vergonha;,alguns voltam e se reconciliam com os irmãos e outros simplesmente desistem da vida em comunidade, no que diz respeito à espiritualidade.
    Normalmente esses rebeldes encontram outros insatisfeitos com algo e fomentam seus corações se colocando como o salvador de sua fé e a solução de todos os problemas eclesiásticos e se aproxima de tais pessoas até ganhar sua confiança. Quando há gente necessária, propõe a abertura de uma igreja, apenas para formalizar as reuniões. Ai começam os problemas!

Isso não significa que todas as igrejas abertas são sem direção de Deus ou por algum dos motivos acima. Creio que há igrejas sendo abertas com a direção de Deus, com o propósito de glorificá-lo e para pregar a Verdade do Evangelho de Cristo e alcançar aqueles sedentos por uma espiritualidade sadia. As pequenas comunidades são facas de dois gumes, podem ser bênção na vida dos membros ou uma maldição que os levará à uma teologia centrada no homem, baseada nas vitórias terrenas e prometendo o bem nessa terra, se esquecendo a vida eterna.

Cabe a cada um de nós examinar se a igreja em que congregamos é uma igreja sadia, que promove e exalta o Reino de Deus nessa terra, se nossos pastores vivem o que pregam, se a mensagem pregada é bíblica e se a vida eterna é o objetivo do povo.

Se nossa igreja não se enquadra nesses requisitos temos duas opções:

1 – Lutar pelas mudanças necessárias

Infelizmente há um pensamento equivocado no meio da igreja de que a palavra do pastor não pode ser contrariada ou ao menos debatida. Se a igreja em que congregamos não é séria o suficiente para nos alimentarmos, devemos contestar e lutar para que as coisas mudem e se ajustem à vontade de Deus.
Quando Lutero afixou as 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg, ele não queria criar uma nova igreja e sim corrigir os erros da Igreja Católica, a qual ele era monge.
Mas para termos autoridade nessa tentativa, precisamos conhecer muito bem as Escrituras, termos uma vida reta, digna e ser exemplo aos demais. Nesse caso, não basta ser direito, tem que parecer direito também e em nenhum momento sonegar a oração.

2- Trocar de igreja

Essa é uma opção a ser considerada, mas não deve ser banalizada. Já cansei de ver pessoas que não param em igreja nenhuma porque nos primeiros meses estão na “lua de mel” e não percebem os erros, mas quando esses ficam evidentes saem e vão para outra igreja, criando assim um circulo vicioso e a pessoa não cria raízes em lugar nenhum.
Existem casos que o melhor a se fazer é, sim, mudar de igreja, mas isso deve ser muito bem pensado e apenas depois de muita oração e concordância da família. Muitos jogam os filhos para fora da igreja por bobagens e depois culpam as igrejas. Precisamos ser diferentes e ter discernimento do propósito de Deus sobre nossas vidas.

O essencial deve nos unir: crer no nascimento virginal, na morte e ressurreição literal de Cristo, na sua divindade, que há um só Deus, que a nossa salvação vem apenas pela graça de Deus e não por obras nossas, que Deus não pode ser manipulado por nós, que somos a morada do Espírito Santo e etc.

Que você medite nesse texto e lute a cada dia pela sua igreja local. Se cada um de nós nos esforçarmos e conseguirmos tornar nossa igreja um pouco melhor, o resultado de nosso esforço vai redundar em igrejas mais saudáveis e o Reino de Deus será expandido de forma inexplicável!

Que Deus te abençoe!

Compartilhe com seus amigos Compartilhe com seus amigos

7 Maneiras de Combater o Evangelho da Prosperidade

7 Maneiras de Combater o Evangelho da Prosperidade

idolatria-ganancia

 

Por Sugel Michelén

14 de Abril de 2014 

“Ser pobre é pecado” (Robert Tilton).

“Se agradarmos a Deus, seremos ricos” (Jerry Savelle).

“Deus quer que seus filhos vistam as melhores roupas, […] dirijam os melhores carros e tenham o melhor de tudo; apenas peça o que precisa” (Kenneth Hagin, Sr.).

Essas são afirmações desconcertantes, porém comuns dos pregadores do “evangelho da prosperidade”. O deus deles é uma espécie de empreendedor cósmico que pode ser usado através dos dízimos e das ofertas para alcançar o que realmente importa: uma vida próspera em termos meramente terrenos.

“Foge também destes”

Paulo nos constrange a ficar longe de “pessoas que têm a mente corrompida e que são privados da verdade, os quais pensam que a piedade é fonte de lucro” (1Tm 6.5). E em sua segunda carta a Timóteo, ele adverte seu filho na fé que “nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, […] mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes!” (2Tm 3.1-5).

Pedro também nos avisa que, assim como houve falsos profetas entre o povo de Deus na antiga aliança, “surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão os caminhos vergonhosos desses homens e, por causa deles, será difamado o caminho da verdade. Em sua cobiça, tais mestres os explorarão com histórias que inventaram” (2Pe 2.1-3; cf. Jd 11-16).

Infelizmente, apesar dos avisos claros das Escrituras, o evangelho da prosperidade possui um enorme e crescente grupo de seguidores. Isso não é difícil de entender, visto que a mensagem apela tão diretamente à nossa ganância natural. Ainda assim, é triste e desconcertante ver que tantas pessoas permanecem no movimento por um longo tempo, até mesmo por toda a vida, uma vez que os pregadores não são capazes de cumprir suas promessas.

A psicologia do evangelho da prosperidade

Por que o evangelho da prosperidade é tão atraente? Como ele ganha e mantém seguidores? Eu recentemente conversei com um irmão que esteve envolvido no movimento por 10 anos, que lançou alguma luz sobre a psicologia do evangelho da prosperidade.

    1. Um deus facilmente manipulado

O evangelho da prosperidade é atraente porque nos oferece um deus facilmente manipulado. Apesar dos ataques dos ateístas militantes nas últimas décadas, o homem não pode eliminar do seu coração a ideia de Deus, porque Deus deixou evidências de sua presença em toda a criação e deu ao homem a capacidade de entender essa evidência (Rm 1.18-21). O que torna o evangelho da prosperidade atraente para o homem caído é que ele parece colocar Deus do seu lado, eliminando o obstáculo da sua santidade e soberania.

O deus desses evangelistas não é aquele revelado nas Escrituras, de quem devemos nos aproximar segundo as condições que ele estabeleceu. Em vez disso, o deus deles é uma combinação do gênio da lâmpada de Aladim com um psiquiatra todo-poderoso, que pode ser facilmente manipulado através de ofertas e “palavras de fé”.

    1. Culpa e ganância

Segundo, o evangelho da prosperidade atrai as pessoas porque ele cria um ciclo de culpa e ganância. Quando as ofertas de riquezas ou saúde demoram para se materializar, as pessoas culpam a si mesmas por sua falta de fé ou por não serem generosas o suficiente. Essa culpa, combinada com a ganância em seus corações, as mantém agarradas às promessas desses falsos evangelistas, assim como o viciado em jogatina volta ao cassino diversas vezes esperando que um dia terá sorte.

    1. Temor religioso

Tais “evangelistas” tendem a inculcar temor religioso em seus seguidores para que eles não ousem questionar “o ungido do Senhor”. Isso impede a capacidade de seus ouvintes de objetivamente analisar o conteúdo da mensagem e a dicotomia evidente entre o estilo de vida deles e o modelo apresentado pelas Escrituras, sobre como o ministro do evangelho deve viver (1Co 4.9-13; 2Co 4.7-11, 11.23-28).

    1. Mordomia traz prosperidade

Outro fator que sustenta a propagação desse falso evangelho é que alguns experimentam, de fato, um grau de prosperidade financeira como consequência de colocar em prática princípios gerais de boa administração que aprendem em tais igrejas. Isso parece confirmar a legitimidade da mensagem que, por sua vez, aumenta a ganância em seus corações, pois “quem ama o dinheiro jamais dele se farta” (Ec 5.10).

Instruções para imunização

Como podemos imunizar nossos ouvintes contra essa ameaça? Eu tenho sete sugestões.

  1. Ensine-os a ler a Bíblia em seu contexto. Os pregadores da prosperidade citam as Escrituras, especialmente o Antigo Testamento, mas negligenciam os contextos geral e imediato dos textos que citam.
  2. Apresente claramente as exigências do evangelho (Mc 1.14-15; At 2.38, 3.19, 26) e o verdadeiro discipulado (Mc 8.38-37; Lc 14.25-33; Fp 1.29).
  3. Inculque neles o espírito dos bereianos (At 17.11). Uma coisa é respeitar a autoridade pastoral (Hb 13.17), mas outra coisa muito diferente é seguir cegamente um líder mesmo quando ele se afasta dos claros ensinos das Escrituras (Rm 16.17-18; Fp 3.17-19).
  4. Pregue sobre as advertências da Bíblia contra a ganância (Pv 23.4-5; Lc 12.15; 1Tm 6.6-10, 17-19; At 13.5-6).
  5. Ensine-os que Deus é bom, sábio e soberano na dispensação de seus presentes. Nem todos os seus filhos serão prósperos e saudáveis deste lado da eternidade, mas todos experimentarão o mesmo amor e cuidado paternal manifestado de diversas maneiras para a sua glória e o bem das nossas almas (Jn 11.3; Fp 2.25-30; 1Tm 5.23).
  6. Ensine-os em como lidar com a tensão de ser um filho de Deus vivendo em um mundocaído (Jn 15.18-21; 17.14-16; At 11.13).
  7. Acima de tudo, apresente Cristo como a pérola de grande valor, que infinitamente ultrapassa em valores qualquer coisa que este mundo transitório possa oferecer (Mt 13.44-46; Fp 3.7-8).

Tradução: Alan Cristie

Fonte:  http://www.ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/668/7_Maneiras_de_Combater_o_Evangelho_da_Prosperidade

Compartilhe com seus amigos Compartilhe com seus amigos

Os Cristãos e o filme Noé

Os Cristãos e o filme Noé

 

Noé

Por Thiago Schadeck

 

Nos últimos dias os cristãos tem invadido as salas de cinema para assistir o badalado e comentado filme “Noé”. Como os produtores previam, o filme fez muito sucesso e está em destaque absoluto nas redes sociais. Isso se deve ao fato de muitos crentes terem ido ao cinema esperando uma ilustração fiel do que a Bíblia descreve como o fim do mundo, mas ao assistir o filme perceberam que os autores não tiveram qualquer fidelidade às Escrituras e pior, chegaram a beirar a blasfêmia.
Concordo que os cristãos que se sentiram lesados com a história cinematográfica devem, sim, emitir suas opiniões e reclamar, afinal ir ao cinema está muito caro hoje em dia.

O problema começa quando exigimos uma fidelidade bíblica e coerência teológica inconcebível para Hollywood e não temos a mesma atitude com as pregações que assistimos e músicas que ouvimos. Quantas vezes assistimos a uma pregação de uma hora e sequer abrimos a Bíblia, seja por preguiça ou porque o pregador decidiu não utilizá-la?

Abaixo, vou listar algumas frases, que dão título à pregações e em seguida “louvores” que cantamos pensando que estamos agradando a Deus:

“Quem tem promessa de Deus não morre”
Sinceramente, eu gostaria muito de saber quem inventou essa bobagem. Com certeza quem começou com isso nunca leu a Bíblia toda e em especial o capítulo 11 de Hebreus, conhecido como “a galeria dos heróis da fé”. Acho muito difícil que algum cristão nunca tenha lido esse capítulo, pois é um dos mais conhecidos da Bíblia. De qualquer forma, vamos à refutação:

Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. (Hebreus 11:13)

Claro que vai surgir a pergunta: Mas Hebreus 11 fala de pessoas que alcançaram as promessas! Sim, muitos alcançaram o que lhes havia sido prometido, mas isso não significa que todos os que receberam qualquer promessa ficaram vivos para recebê-las.

“Os sonhos de Deus… ”
Essa frase pode se enquadrar tanto em pregações como em músicas. Não sei quem começou com isso, mas uma coisa é fato, essa frase fere um dos maiores atributos de Deus, a sua Soberania! Deus não fica sonhando e torcendo pra que tudo dê certo no final, pois ele sonhou mas não tem qualquer poder para realizá-los.
Isso é um dos pontos do Teismo Aberto ou Teologia Liberal, que defende que Deus não conhece o futuro, que não pode fazer qualquer intervenção, porque criou a terra e o ser humano e os deixou abandonados à sua própria sorte para, quem sabe, se encontrar com ele no final de tudo.

Se lermos o livro de Jó, completo e não apenas os quatro primeiros e o último capítulos, veremos que nas coisas boas e ruins Deus estava no controle e ajudando Jó a perseverar, ele não estava alheio ao sofrimento do seu servo. Vamos ver o que o próprio Jó fala acerca da soberania de Deus:

Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido (Jó 42:2)
 

“O melhor de Deus ainda está por vir”
Essa frase tão dita como motivação quando as pessoas estão passando por alguma dificuldade, afronta brutalmente nosso Senhor Jesus. O melhor de Deus já veio e atende pelo nome de Jesus, o Cristo! Enquanto ficamos esperando o “melhor” de Deus, esquecemos de tudo o que Ele já fez por nós e pela salvação através da graça trazido por Cristo.
Além do desprezo ainda há um outro problema nessa frase, ela pode causar um descontentamento eterno, porque sempre ficamos esperando o melhor de Deus e nunca nos conformamos com o que já recebemos, tendo em vista que sempre há algo melhor da parte de Deus para nós!
Essa frase ficaria mais biblicamente correta se fosse: O melhor de Deus já está pra voltar!

Partindo para o lado musical, teremos de resumir, pois é um campo vasto de bobagens e heresias:

“A minha vitória hoje tem sabor de mel”
A vitória do cristão foi conquistada na Cruz do Calvário, quando Cristo derrotou Satanás e nos comprou com seu sangue, trazendo assim a esperança da salvação aos homens. Tenho certeza que para Cristo a Cruz e a vitória dele não tinham sabor de mel. Em seus últimos dias de vida, Jesus foi traído por um de seus discípulos, outros dez o abandonaram quando ele foi crucificado e antes de morrer, o Pai o abandona para morrer sozinho e pagar pelos pecados da humanidade. Acredito que Cristo não sentiu sabor de mel em sua vitória.

Vejamos as palavras do próprio Jesus acerca dos acontecimentos que teria de passar:

E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui, e vigiai. (Marcos 14:34)
 

“Restitui, quero de volta o que é meu…”
Essa música fez muito sucesso no início dos anos 2000 e até hoje é uma das mais tocadas nas igrejas evangélicas. Eu mesmo comprei o CD e cantei muito, porém se prestarmos atenção na letra veremos que é uma música totalmente egocêntrica e anti-bíblica! Vejamos alguns motivos:

– Nenhum ser humano pode exigir qualquer coisa de Deus. Nós somos os servos e Ele o Senhor. Ele faz o que quer, quando quer e como quer, sem obrigação nenhuma de atender nossas vontades egoístas.

– O que é nosso? Tudo o que temos vem do Senhor. Dele é a terra e a sua plenitude (Salmos 24:1) e porque dele, por Ele e para Ele são todas as coisas (Romanos 11:36). O Senhor, nosso Deus é soberano!

Concluindo, se você exige fidelidade bíblica do filme de Hollywood e gosta desse tipo de pregação ou música, é hora de rever seus conceitos e começar a exigir a mesma fidelidade de si mesmo, buscando conhecer mais o Deus das Escrituras e não o pregado nas igrejas de autoajuda, depois exigir que na sua igreja a Palavra seja pregada em verdade, se baseando somente nas sagradas escrituras e que os louvores exaltem e adorem unicamente a Cristo. Se todos os inconformados com o filme fizerem um pouquinho e mostrar que quer se alimentar de uma palavra pura, sem adicionar modismos ou frases de efeito com certeza teremos uma nova reforma protestante e voltaremos ao Evangelho Puro e Simples de Cristo.

Que Deus te abençoe e que esse texto te faça refletir na sua vida como cristão se tem se apegado a verdade ou ao que te agrada!

 

[contact-form][contact-field label=’Nome’ type=’name’ required=’1’/][contact-field label=’E-mail’ type=’email’ required=’1’/][contact-field label=’Site’ type=’url’/][contact-field label=’Comentário’ type=’textarea’ required=’1’/][/contact-form]

 

Compartilhe com seus amigos Compartilhe com seus amigos