Mês: Fevereiro 2014

O que é neopentecostalismo?

O que é neopentecostalismo?

 

Tanto o Pentecostal como o Neopentecostal são definidos por sua teologia. É a teologia que caracteriza a identidade de cada um, por isso, o melhor é analisarmos historicamente e teologicamente a trajetória dos dois grupos cristãos.Os pentecostais

O movimento pentecostal surgiu nos Estados Unidos em Topeka, Kansas, no início do século XX. Influenciado pelo movimento pietista de comunhão com Deus através do estudo das Escrituras, movimento este que teve início em 1635.  Charles Parham fundou uma escola com a finalidade de estudar a Bíblia e buscar o avivamento de Atos capítulo 2. Um de seus estudantes, chamado Seymour passou a promover reuniões, em casas da cidade e, no dia 6 de abril de 1906, numa dessas reuniões, um menino de 8 anos falou em línguas, seguido de outras pessoas. Iniciava-se, assim, pelo menos formalmente, o movimento pentecostal.

Ênfase Teológica

No início do século XX, o pentecostalismo passou a enfatizar o batismo no Espírito Santo como revestimento de poder; as línguas estranhas como evidência da manifestação do Espírito Santo no crente; a manifestação dos dons espirituais. Numa das reuniões de Seymour, em Los Angeles, estava presente o pastor de uma igreja batista em Chicago, W. H. Durham, que também falou em línguas. No Brasil, o pentecostalismo está diretamente ligado ao movimento de Los Angeles, pois foram dois missionários deste movimento que trouxeram para o país o pentecostalismo. Daniel Berg e Gunnar Vingren, discípulos de Durham, em novembro de 1910. Eles chegaram ao Brasil convictos de que Deus os enviara a pregar a mensagem cristã a esta grande nação. Em junho de 1911, organizou-se em Belém do Pará, à Rua Siqueira Mendes, nº 67, a primeira Igreja de Fé Pentecostal no Brasil, primeiramente sob o título de “Missão de Fé Apostólica”, alterado em janeiro de 1918 para “Assembléia de Deus”, por Convenção realizada em Chicago, EUA.

Os Neopentecostais

Segundo Ricardo Mariano, em Neopentecostais – Sociologia do Novo Pentecostalismo no Brasil, (citado na revista Compromisso, 1º trimestre de 2003, págs. 79-80), o movimento pentecostal brasileiro se divide em três ondas:

A primeira onda é o chamado “Pentecostalismo Clássico”, da Rua Azuza no início do século XX.  A segunda onda é conhecida por “deutero-pentecostalismo” ou “pentecostal neoclássico”, movimento de cura divina do início da década de 50. Por fim, a terceira onda: “neopentecostalismo”, tendo suas origens na segunda metade da década de 70. Os precursores do movimento neopentecostal (Edir Macedo, R. R. Soares e Miguel Ângelo) saíram da Igreja de Nova Vida, do missionário canadense, naturalizado norte-americano, Robert McAlister, e fundaram as primeiras igrejas neopentecostais em solo brasileiro: Igreja Universal do Reino de Deus (1977), Internacional da Graça de Deus (1980) e Cristo Vive (1986). Ao lado destas três primeiras igrejas, encontramos ainda outras comunidades que se originaram de outras denominações tradicionais.

Expoentes e raízes teológicas

Dois nomes bastante influentes na teologia neopentecostal, com certeza são: Essek William Kenyon e Kenneth Hagin.

1. KENYON. Nasceu em 24 de abril de 1867, em Saratoga, Nova York, EUA, falecendo aos 19 de março de 1948, ele tinha pouco conhecimento teológico formal. “Kenyon nutria uma simpatia por Mary Baker Eddy” (Gondim, p. 44), fundadora do movimento herético “Ciência Cristã”, que afirma que a matéria, e a doença não existem. Tudo depende da mente.

2. KENNETH HAGIN. Discípulo de Kenyon. Nasceu em 20 de agosto de 1917, em McKinney, Estado do Texas, EUA. Sofreu várias enfermidades e pobreza; diz que se converteu após ter ido três vezes ao inferno (Romeiro, p. 10). Aos 16 anos diz ter recebido uma revelação de Mc. 11: 23,24, entendendo que tudo se pode obter de Deus, desde que confesse em voz alta, nunca duvidando da obtenção da resposta, mesmo que as evidências indiquem o contrário. Isso é a essência da “Confissão Positiva”.

Estes dois são os pulverizadores da teologia neopentecostal não apenas no Brasil, mas em toda América, misturaram teologia com gnosticismo e criaram uma estrutura teológica que encontrou solo fértil num país como o nosso; que é de terceiro mundo e sofre com questões básicas como saúde, falta de moradia, segurança, entre outras.

Teologia dos Neopentecostais

1. Teologia da prosperidade: A teologia da prosperidade, defendida pelos neopentecostais, afirma que um cristão verdadeiro e fiel a Deus, tem o direito de obter a felicidade integral, pode exigi-la, ainda durante a vida presente sobre a terra.

2. Confissão positiva: Confissão positiva é um título alternativo para a teologia da forma da fé ou doutrina da prosperidade promulgada por vários televangelistas “a expressão “confissão positiva” se refere literalmente a trazer à existência o que declaramos com nossa boca, uma vez que a fé é uma confissão”.

3. Maldições hereditárias: Chamada também de Quebra de Maldições, Maldições Hereditárias, Maldição de Família e Pecado de Geração. Pode ser definida como: A autorização dada ao diabo por alguém que exerce autoridade sobre outrem, para causar dano à vida do amaldiçoado. A Bíblia ensina que a responsabilidade do pecado é pessoal: Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que tendes vós, vós que, acerca da terra de Israel, proferis este provérbio dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram? Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR DEUS, jamais direis este provérbio em Israel (…). Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá (Ez. 18: 1-4).

4. Possessão de crentes: Os pregadores neopentecostais tem uma cosmovisão que dá lugar à crença na possessão de crentes por demônios. Essa crença fica clara no livro Orixás, Caboclos & Guias: Deuses ou Demônios (pgs. 101-104) no capítulo “Crentes endemoninhados?” – Macedo afirma claramente que o capítulo é fruto de sua observação: “Este capítulo não existiria se eu não tivesse visto constantemente pessoas de várias denominações evangélicas caírem endemoninhadas, como se fossem macumbeiras, ao receberem a oração da fé”. O Bispo Macedo não oferece nenhum texto bíblico como argumento para comprovar tal doutrina. Apenas fez “uma observação”.

O culto neopentecostal

A Bíblia nos apresenta um modelo de culto que é a adoração a Deus na pessoa de Cristo. Portanto, Cristo é o centro do culto, tudo deve girar em torno dEle e para Ele (Hebreus 10: 19-25).
Não é o que vemos num culto neopentecostal, onde o homem passa a ser o centro (antropocentrismo) do culto, tudo é para o homem (letras dos hinos, mensagens proferidas, testemunhos e outros) e feito na intenção de satisfazer esse homem. Isto não é bíblico, por atraente e satisfatório que pareça, não é para o homem que prestamos culto e sim para Deus. É quando prestamos culto a Deus que somos confrontados com nossa realidade, e descobrimos que somos carentes da graça de Deus. Neste momento Ele nos edifica e restaura; num culto antropocêntrico não existe espaço para Deus.

Outras práticas do culto neopentecostal

Hoje observamos práticas que eram comuns na Idade Média onde o catolicismo se utilizava de objetos ditos sagrados (posse de relíquias; unção e santificação de objetos; água benta; pedaços da cruz de Cristo; bulas papais etc.) para efetuar cura e absolvição de pecados. Essas mesmas práticas, os cristãos brasileiros, até a década de 70, só as viam nos cultos sincretistas afro-brasileiros (banhos sagrados, uso de rosas vermelhas, sal grosso, entre outras). É de assustar quando vemos igrejas neopentecostais usarem práticas e objetos ( copo d’água, rosa ungida, sal-grosso, pulseiras abençoadas, peças de roupas de entes queridos, óleos de Jerusalém, águas do rio Jordão, trombetas de Gideão, cajado de Moisés, cultos de descarrego etc.) como na Idade Média e no sincretismo brasileiro, em seus cultos. Esses objetos acabam servindo de mediação entre o homem e Deus. O perigo é que a Bíblia nos apresenta Cristo como sendo o único mediador entre Deus e o homem (I Tm. 2:5; Hb. 9:15; Hb. 12:24).

A evangelização dos neopentecostais

Jesus nos ordenou a pregar o Evangelho a todas as criaturas (Mt. 28: 19-20), a mensagem deve levar o ouvinte a crer no Senhor Jesus Cristo e a se arrepender e confessar os seus pecados, para obter a salvação (Rm. 10:10). O que vemos na evangelização neopentecostal é uma mensagem onde a pessoa é levada a satisfação do bem estar pessoal e não a uma mensagem de confissão para o perdão; isto é proselitismo e não pregação do Evangelho. Proselitismo é quando uma pessoa faz adesão a uma religião não por fé, mas por costume. Isto era o que Israel fazia com as pessoas que não eram cidadãos israelitas, mas que queriam professar a mesma crença; esta pessoa passava pelo ritual da circuncisão e assim se tornava israelita.

Conclusão:

Devemos firmar o compromisso de que a Bíblia é nossa única regra de fé e prática, portanto, nossa conduta eclesiástica deve se pautar na revelação divina, não devemos copiar ou aderir à práticas que não são aceitas pelo nosso presbitério. Sejamos fiéis primeiro àquele que nos chamou e que nos colocou como servos seus, para cuidar do seu rebanho. Não temos o direito de transformar a Igreja de Cristo em uma comunidade com objetivo e propósitos diferentes dos ensinados pelo Senhor da Igreja.

Comentários

O crente é santuário do Espírito Santo: Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo (I Co. 6: 19-20).

O Espírito Santo tem zelo por nós: Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes? (Tg. 4:5)

O crente é propriedade peculiar de Deus: Em que também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança até ao resgate da propriedade, em louvor da sua glória (Ef. 1: 13-14).

Jesus é o mais que valente que tomou posse da propriedade (Lc. 11: 21-22), portanto em Cristo estamos seguros.

Fonte:  http://blogdopcamaral.blogspot.com.br/2011/03/o-que-e-neopentecostalismo.html

Compartilhe com seus amigos Compartilhe com seus amigos

Igreja do Século 21 – Rica e Falida

Igreja do Século 21 – Rica e Falida

Igreja RicaPor Thiago Schadeck

A paz do Senhor!

Desde 1.517, quando Martinho Lutero, enfim, conseguiu consumar o que ficou conhecido como “a Reforma Protestante” a Igreja Evangélica não passa por uma crise tão grande quanto essa do século 21. A Igreja de nossa época consegue algo aparentemente impossível: Ser rica e falida ao mesmo tempo.
Segundo as estatísticas do IBGE, os evangélicos já ultrapassam a marca dos 30 milhões, mas de modo geral, somos pouquíssimo representativos. Não temos uma voz ativa na nação, na política, nas ações sociais. Tudo o que temos são algumas pessoas engajadas em projetos isolados, que não contam com a ajuda da Igreja.

No Brasil, não há como definir o que significa “Igreja Evangélica”, pois essa “instituição” não passa de um sem número de denominações com idéias diferentes, teologias diferentes, maneiras diferentes de buscar a Deus e que pouco se esforça para aumentar ou gerar comunhão entre si.
Deixo claro que há valores inegociáveis, como uma pregação bíblica, a centralidade de Cristo no culto, a Soberania do Senhor, a inerrância das Escrituras, dentre outras coisas. Porém, por outro lado, existem práticas que não ferem a minha comunhão com Deus e devemos respeitar e nos esforçarmos para vivermos em comunhão, a pesar das diferenças.

Provavelmente a Igreja do século 21 ouviria de Jesus a mesma coisa que Ele disse á Igreja de Laodiceia:

Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. Apocalipse 3:20

Notemos que essa Igreja deixou Cristo do lado de fora por se achar auto-suficiente. Eles se gabavam por estarem enriquecendo, de não ter mais necessidades materiais e que podiam desfrutar dos bens desta terra.
Ao dizer que essa Igreja não era nem fria e nem quente, Cristo deixou bem claro de quão irrelevante ela era. A Igreja do século 21 é exatamente igual a de Laodiceia, constrói templos enormes, que mais se parecem com palácios, paga fortunas por horários em TV e Rádio para pregar que em sua denominação é que Deus opera e vai realizar tdos os nossos desejos, até mesmo os mais esdrúxulos.
Muitas,  para não dizer a maioria, das denominações foram fundadas sem nenhuma direção de Deus, depois de uma briga por poder. Nesse caso, a pessoa sai, se auto consagra pastor, leva alguns membros de sua igreja antiga consigo e monta uma igreja  que funciona em torno de si. O que é dito de púlpito é lei, quem não se enquadrar à cartilha que a igreja prega é tido como herege, arruaceiro, endemoninhado – ainda que esteja corrigindo o povo através da Bíblia.
Só no Brasil existem mais de 12 mil apóstolos que na grande maioria – note que não coloco todos no mesmo balaio – são homens egocêntricos que acharam o título de pastor pequeno demais para eles e quiseram subir mais um patamar. Homens que diante de sua congregação são as bocas de Deus e que toda a revelação, necessariamente,  vem por eles. São considerados infalíveis por seus liderados, tal qual o Papa na igreja Católica. Nas igrejas dirigidas por pessoas com esse perfil, a leitura e estudo da Bíblia são colocados em segundo plano e desincentivados, pois se as pessoas souberem demais, poderão fazer perguntas constrangedoras ou até mesmo se levantar contra os falsos ensinos.

Por outro lado, ainda existe a Igreja séria, onde todo louvor, honra e glória é dada a Deus, o nosso Senhor. Igrejas essas que tem seu crescimento vagaroso, porém consistente. Os membros não são apenas mais um número, mas peças importantes no plano da Salvação, pessoas que serão discipuladas pela Palavra de Cristo e que aprenderão a ser imitadores de Cristo.
Nessas Igrejas o caixa nunca tem dinheiro sobrando, porque tudo o que entra já tem um bom destino no Reino, o pastor não tem salário de executivo de banco, os membros não são coagidos a aceitar tudo o que vem do púlpito, antes são ensinados a analisar tudo e reter o que é bom, a conferir nas Escrituras se o que está sendo pregado é realmente daquela forma.
Como o Senhor falou a Elias que ainda haviam sete mil que não tinham se dobrado à Baal, em nossos dias, o Senhor também tem separado para Si um povo que não se corrompe com os prazeres e as tentações desse mundo, mas se mantém fiel a Ele.
Mesmo em meio a tanta coisa errada , o corpo de Cristo se mantém incorruptível.
A Igreja – organismo – sempre prevalece na luta contra o inferno, pois o Senhor é quem a defende. Ela passa por muitas lutas e dificuldades, mas entende que essas privações vem do próprio Deus, que usa essas situações para aperfeiçoar a sua fé e ensinar a vontade Dele.

Que esse texto nos traga a reflexão de se a Igreja em que congregamos tem acrescentado algo ao Reino de Deus nessa terra. Se a resposta for não, devemos lutar para mudar a situação, conversar com nosso pastor e demonstrar os erros, apontando soluções. Se nada mudar, ore e peça para Deus te direcionar a uma Igreja séria, que quer viver para a glória de Deus.

Que Deus te abençoe!

 

Compartilhe com seus amigos Compartilhe com seus amigos